Reuters
11/12/2002 - 19h30

Comerciantes argentinos temem saques no Natal

da Reuters, em Quilmes (Argentina)

Os donos de alguns pequenos supermercados dos subúrbios de Buenos Aires estão se armando pelo medo de serem roubados na semana do Natal, como aconteceu no ano passado.

Centenas de desempregados se juntaram esta semana em frente a uma sucursal do Carrefour em uma cidade a 15 quilômetros do centro de Buenos Aires e pediram pão e carne.

Além disso, dirigentes políticos denunciaram que alguns setores do peronismo estavam organizando saques para desestabilizar o presidente Eduardo Duhalde no dia 20 de dezembro.

Esse é o dia do primeiro aniversário da renúncia do ex-presidente Fernando De la Rúa, que deixou o poder depois da repressão da revolta popular que foi iniciada com saques.

Alguns comerciantes acreditam que o temor de que se repitam os distúrbios é uma "psicose" gerada pela imprensa, mas os donos dos supermercados contrataram policiais para reforçar a segurança, temendo que a pior crise econômica na história do país volte para as ruas.

"Desta vez vou estar armado. Não quero machucar ninguém, mas vou proteger meu negócio", disse Mario Suárez, dono de um pequeno supermercado no subúrbio de Buenos Aires.

Há um ano dezenas de pessoas entraram no mercado de Suárez e levaram mercadorias no valor de US$ 1.500.

Tensão
Os donos de alguns negócios admitiram permitir o roubo de mercadorias em pequenas quantidades para diminuir a tensa situação.

Outros, em troca, baixam as portas quando vêem um movimento suspeito na rua.

Os saques aos supermercados têm um impacto especial na Argentina, pois forçaram a renúncia de dois presidentes, em 1989 e 2001.

Alguém que não vive no país, à primeira vista pode interpretar os saques como uma estratégia de pressão de grupo de desempregados aos governos impopulares.

Mas na Argentina, a maioria acredita que os saques são organizados por grupos políticos, impulsionados por motivações obscuras.

O líder de um grupo de desempregados denunciou que foi contatado por pessoas próximas ao presidente Carlos Menem para gerar distúrbios na semana de 20 de dezembro e desestabilizar Duhalde, inimigo político número um do ex-presidente.

Mas Menem, que tentou voltar ao poder depois das eleições de abril, negou ter oferecido dinheiro aos desempregados.

Leia mais notícias de Mundo
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca