Reuters
10/02/2003 - 17h20

Colômbia pedirá mais ajuda aos EUA para combater o terrorismo

da Reuters, em Bogotá

A ministra da Defesa da Colômbia, Marta Ramírez, viajou hoje aos Estados Unidos em busca de maior ajuda internacional para combater o terrorismo, depois da explosão de um carro-bomba que destruiu um clube e matou 32 pessoas em Bogotá na sexta-feira (7).

A ministra, que já havia programado a visita, acusou grupos terroristas estrangeiros e narcotraficantes de terem fornecido apoio ao ataque da guerrilha no Club El Nogal, no norte de Bogotá.

"Neste momento o terrorismo está afetando o mundo inteiro, o terrorismo é um problema global e é lógico que as soluções ao terrorismo têm que conter um componente global", declarou Ramírez em entrevista coletiva.

"Para nós é muito importante a ajuda de um país como os Estados Unidos, que tem sido muito solidário com a Colômbia, mas que também tem problemas muito similares aos nossos em relação à ameaça do terrorismo", disse a ministra antes de viajar.

Ramírez viajou a Washington para reunir-se com representantes de do governo de George W. Bush. Ela pedirá mais cooperação tecnológica na luta contra o narcotráfico e o terrorismo, dupla que responsabilizou pelo ataque.

"Sim [foram as Farc - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia], mas não podemos dizer que exclusivamente eles, eles possivelmente com a colaboração adicional de alguém mais [...] Todas as evidências indicam que são as Farc", disse a ministra.

"Temos que recordar que estes grupos narcoterroristas da Colômbia são uma coisa só, vivem do negócio do narcotráfico e esse negócio do narcotráfico fortaleceu estes grupos que, em outra época, se chamavam insurgentes", disse Ramírez.

"Mas hoje o único que têm é o negócio das drogas como sua razão de ser", agregou a ministra.

Ramírez mencionou entre as organizações internacionais que podem estar associadas às Farc no ataque ao clube o Exército Republicano Irlandês (IRA) e o ETA (Pátria Basca e Liberdade, grupo armado que luta pela independência da região basca), da Espanha.

As Farc não assumiram a autoria do atentado, mas disseram ontem que empresários e políticos se reuniam no clube com representantes dos paramilitares, seus piores inimigos.

Caso seja comprovada a responsabilidade das Farc no ataque, que destruiu um prédio de 12 andares, será uma mudança significativa no conflito colombiano. Os rebeldes já realizaram ataques com explosivos em cidades, mas sempre atingiam alvos militares ou do governo.

Fronteira

Não é a primeira vez que o ETA e o IRA são acusados de apoio à guerrilha colombiana. O IRA foi acusado de ter treinado as Farc na fabricação de explosivos e uso de morteiros.

Ramírez pediu para à comunidade internacional que feche suas fronteiras aos membros da guerrilha esquerdista e confisque suas contas bancárias, alimentadas com o dinheiro do narcotráfico.

Os Estados Unidos são o principal aliado da Colômbia na luta contra o narcotráfico. Os grupos guerrilheiros são considerados terroristas por Washington.

A Colômbia é o terceiro receptor mundial de ajuda militar dos EUA, depois de Israel e Egito. Bogotá recebeu nos últimos anos cerca de US$ 1,5 bilhão dos EUA para combater o narcotráfico.

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