Venda mundial de charutos despenca
da Reuters, em HavanaHá poucos motivos para se acender um Montecristo ou um Cohiba no mundo dos negócios de charutos após o final da "bolha da internet" e dos ataques de 11 de setembro de 2001, lamentaram negociantes do setor reunidos em Cuba.
As vendas atingiram o pico nos anos 1990s com o boom das empresas de tecnologia, disseram distribuidores dos famosos havanos durante sua peregrinação anual à Meca dos charutos.
O impacto dos ataques terroristas de setembro de 2001 nas viagens e na economia reduziram as vendas em lojas duty free em aeroportos. Os consumidores compram agora uma caixa, em vez de três ou quatro, dizem.
"Somos um produto super-premium e de alto custo. Você precisa estar de bom humor para celebrar, e neste momento não há muita razão para isso", disse Simon Chase, diretor de marketing do grupo Hunters & Frankau, único importador de charutos cubanos para o Reino Unido.
As vendas no Reino Unido caíram de 5 milhões de charutos por ano nos dias de glória das empresas de internet para 3,2 milhões. As exportações cubanas caíram 10% no ano passado, para US$ 240 milhões, de acordo com a Habanos S.A., iniciativa conjunta entre o país comunista e a empresa fraco-espanhola Altadis de Madri.
As vendas de charutos seguem de perto os ciclos de negócios, e a indústria acredita que as coisas vão melhor com ou sem guerra. Mas não como nos anos 1990, quando muitos jovens endinheirados achavam que fumar charutos era um símbolo de sucesso.
Mais de 900 especialistas em charutos e aficionados do mundo inteiro participaram do 5º Festival Anual Habanos, iniciado na segunda-feira no cabaré Tropicana, em Havana, e com fim previsto para hoje. O jantar de encerramento custará US$ 500 por pessoa e terá um leilão de caixas especiais assinadas por Fidel Castro.
Caixas com charutos especiais chegaram a atingir US$ 250 mil em outros leilões.
Recuperando-se de furacões
Um dos eventos neste ano foi uma excursão para Pinar del Río, no oeste de Cuba, onde crescem as melhores folhas de tabaco do mundo, para ver como a província se recupera de dois furacões.
Os plantadores, entre eles o mais conhecido de Cuba, Alejandro Robaina, 85, disseram que a colheita foi adiada por um ou dois meses.
Mas o clima ensolarado e frio atual apontam para uma boa colheita neste ano, com menor quantidade, mas com folhas de qualidade superior, segundo os plantadores.
A boa notícia é que não há sinal do fungo que pode destruir todos os campos de tabaco.
"Acredito que haverá uma redução na tonelagem de tabaco neste ano, mas para ser honesto acho que não precisamos de tudo isso", disse Chase, do Hunters & Frankau.
"Com o estado do mercado mundial não há falta de fornecimento, então um ano com má colheita não é ruim. Temos muitos charutos em estoque", afirmou.
Novos mercados
Segundo Michel Perrenoud, gerente da fabricante de umidificadores suíça Le Virtuose du Bois, as vendas das caixas para conservação dos charutos também estão baixas.
"Vendemos menos, mas somente itens muito caros", disse.
Com os negócios em baixa, os comerciantes de havanos estão procurando novos mercados, como ex-Estados soviéticos que estão se abrindo ao capitalismo, e a China, país com muitos fumantes de cigarros.
"No momento o mercado é muito pequeno, mas o número de fumantes está crescendo com a modernização e a melhora do padrão de vida", disse Julian Fung, da Infifon Hong Kong, distribuidora exclusiva de charutos cubanos na China.
No Cazaquistão, a chegada de companhias de petróleo para explorar as reservas levou muitos cazaques a acenderem um bom charuto.
Dmitriy Senkow, representante da estatal cubana de tabaco em Almaty, disse que começou a vender charutos em 2000 e agora vende 80 mil por ano.
"Dois anos atrás ninguém sabia como fumar um charuto no Cazaquistão", disse Senkow.


