Reuters
21/09/2001 - 20h44

Militantes do Paquistão pretendem ajudar Afeganistão

da Reuters, em Quetta

Militantes do Paquistão que lutam contra o domínio da Índia na disputada região da Caxemira disseram hoje que estão preparados para defender o Afeganistão contra qualquer ataque, caso o governo do Taleban pedir apoio.

"Não recebemos mensagens do Taleban. Responderemos quando eles nos chamarem", disse à "Reuters" Yahya Mujahid, porta-voz do grupo Lashkar-e-Taiba.

O Lashkar é um dos principais grupos guerrilheiros que lutam contra o domínio indiano na região da Caxemira, no Himalaia. Mujahid falou por telefone de Lahore, capital da Província central de Punjab, no Paquistão.

Uma assembléia de religiosos islâmicos do Afeganistão pediu na quinta-feira uma "guerra santa" contra qualquer um que participe dos esperados ataques militares dos Estados Unidos em retaliação aos ataques terroristas do dia 11 no Pentágono, nos arredores de Washington, e em Nova York.

Mujahid disse que a maioria dos grupos militantes seguirá o que chamou de "decisões coletivas" do Conselho da Jihad para Defesa do Afeganistão agrupamento de organizações islâmicas no Paquistão.

O grupo convocou uma greve nacional geral na sexta-feira em protesto contra o apoio do Paquistão aos Estados Unidos nos ataques militares ao Afeganistão, para forçar o Taliban a entregar o milionário de origem saudita Osama Bin Laden.

Bin Laden é o principal suspeito de Washington nos ataques, que deixaram mais de 6.500 mortos ou desaparecidos.

Sem retirada

Mujahid desmentiu reportagens segundo as quais o Lashkar ordenou a retirada de seus homens da Caxemira para defender o Afeganistão. Ele classificou as notícias como "propaganda indiana".

"Nenhum de nossos guerreiros da liberdade está indo para o Afeganistão, e até onde sei nenhum dos outros grupos está fazendo isso", disse.

Os Estados Unidos colocaram o Lashkar no ano passado em sua lista de "organizações terroristas".

O chefe de outra facção militante, conhecido por ter laços próximos com Bin Laden, disse que seus homens na Caxemira e no Afeganistão continuarão a "fazer o que se propõem".

"Não aconteceu nada que não esperávamos. Estamos sempre preparados para tais situações e responderemos de maneira apropriada quando chegar a hora", disse o líder, que pediu para não ser identificado.

"Nossos homens na Caxemira continuarão suas operações e nossos homens no Afeganistão cumprirão seu dever", disse ele, que se recusou a explicar qual seria este dever.

Ao falar de um telefone celular de um local não identificado no Paquistão, ele advertiu os Estados Unidos contra atingir "guerreiros da liberdade da Caxemira".

"Os americanos deveriam fazer uma clara distinção entre guerreiros da liberdade e terroristas. Caso contrário continuarão a multiplicar seus inimigos ao redor do mundo", disse.

"Se a causa da Caxemira for afetada, a América tornará milhares de guerreiros da liberdade contra ela, exatamente como tornaram milhares de afegãos e árabes contra eles por causa de suas políticas na Palestina e no Afeganistão."

A maioria das facções e militantes islâmicos vê o papel dos Estados Unidos no conflito entre palestinos e israelenses com grande suspeita, e acusa Washington de traírem aliados mujahideen após a retirada das tropas de ocupação soviéticas do Afeganistão, há 12 anos.

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