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24/09/2002 - 02h32

Sociedade revaloriza ouvido musical

PAULO DE CAMARGO
free-lance para a Folha de S.Paulo

Amante de valsas, intérprete de Chopin, estudante disciplinado, criativo explorador dos recursos de um teclado eletrônico, Leonardo Fanzini Fajardo teve, no ano passado, o raro privilégio de tocar piano, a quatro mãos, com Arthur Moreira Lima. Sem ensaio, Leonardo enfrentou um público de mil pessoas na abertura do Congresso Saber, iniciativa do Sindicato de Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo. O número improvisado dos dois enfatizou o sentido didático do evento.

Fabiano Cerchiari/Folha Imagem
Leonardo Fanzini Fajardo, 8, com o teclado eletrônico que toca em casa

Apresentar-se ao lado de um dos maiores pianistas brasileiros seria um feito para qualquer um. Para Leonardo, que, aos oito anos, não é músico profissional, foi uma proeza. O garoto tem inegável talento, mas não é um virtuose nem passa longas horas preso ao piano. Se compartilhou o teclado com Moreira Lima, foi sobretudo por ter a sorte de pertencer a uma geração que começa a ter acesso a uma formação musical mais completa, muitas vezes dentro da grade curricular das escolas. "A aula de música é uma das que eu mais gosto", conta o aluno do Vera Cruz, em São Paulo.

Embora a música esteja longe de ocupar o mesmo patamar das matérias tradicionais, a tendência de ensiná-la em escolas não especializadas se revela cada vez mais forte. Sufocada durante anos por um currículo tecnicista, a música começa a ressurgir como parte importante do programa pedagógico de boas instituições particulares.

Entre as razões para o ensino musical voltar a ocupar um espaço maior nas atividades escolares, encontra-se uma demanda da própria sociedade, em que a música retorna como aspecto fundamental da formação do indivíduo. Mesmo no mundo do trabalho, há quem veja na música um "diferencial competitivo".

Para o consultor de recursos humanos Hélio Castro, diretor da Horton Internacional, que faz seleção de executivos, o que se busca hoje no mercado de trabalho são pessoas equilibradas. "Valorizamos muito a pessoa como um todo", diz Castro. A música, mesmo como hobby, contribui para a composição desse perfil. "Posso dizer que valorizo um currículo de um candidato que tenha música, pelos aspectos de equilíbrio e sensibilidade que sugere."

Alexandre Schneider/Folha Imagem
José Ernesto Bologna
José Ernesto Bologna, consultor de empresas e violonista amador, concorda e vai além ao notar a importância da música não apenas na sociedade moderna, mas em toda a história da humanidade. "Toda a educação da Antiguidade tinha a música como uma das principais disciplinas", diz. Para Bologna, que também é psicólogo, a música encerra como nenhuma outra arte a dicotomia entre disciplina e liberdade.

Engenheiro e educador musical, mestre em música pela USP, Ricardo Breim faz coro com os profissionais de recursos humanos: "Hoje, há uma grande necessidade de se ampliar a percepção do mundo".

A recuperação do espaço da música nas escolas ganhou velocidade com a edição dos Referenciais Curriculares da Educação Infantil e dos Parâmetros Curriculares Nacionais, dois conjuntos de documentos do Ministério da Educação que servem de base para o trabalho dos colégios públicos e particulares. Os textos, publicados a partir de 1998, dão ênfase ao papel das artes na educação e apontam alguns caminhos de trabalho.

"Antigamente, a educação buscava formar crianças e jovens para um futuro já conhecido, mas hoje não sabemos para que futuro preparamos as pessoas daí a importância de ampliarmos a sensibilidade dos alunos", diz Breim, um dos autores dos Parâmetros Nacionais Curriculares do MEC.

Ao mesmo tempo, tornaram-se mais conhecidos novos enfoques de ensino musical. A disseminação de pedagogias, aliás, é uma maneira de medir o grau de alfabetização musical de um país. Na Hungria, por exemplo, o compositor Zoltan Kodály (1882-1967) conseguiu, na primeira metade do século, popularizar um método de ensino usado até hoje. Esse esforço resultou na formação de gerações inteiras que sabiam ler partituras, valorizavam o aprendizado musical e consumiam música clássica.

No Brasil, o compositor Heitor Villa-Lobos (1887-1959) tentou algo parecido com a proposta do canto orfeônico. O método, baseado sobretudo na formação de grandes corais que reliam a música folclórica, foi adotado durante a ditadura do Estado Novo (1937-45), num contexto de exacerbação nacionalista, e morreu com o fim do regime de Getúlio Vargas (leia a seção "Caminho das Pedras").

Desde então, o ensino musical decaiu. Em 1972, com a edição da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, criou-se a área de Educação Artística, unificando o ensino de artes plásticas, música e teatro. Para a diretora da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), Claudia Toni, essa foi uma das grandes causas do atual cenário de abandono do ensino de música nas escolas públicas. Ela reconhece avanços mais recentes, mas avisa: "Há um desafio enorme a ser vencido na área da educação musical, principalmente na rede pública".

Novos caminhos, porém, vão sendo progressivamente traçados, inclusive por entidades como a própria Osesp. No ano passado, a orquestra deu início a um ambicioso programa de educação musical, fundamentado sobretudo na capacitação de professores das escolas públicas. Esquivando-se da solução mais fácil, de apenas levar crianças às salas de concerto, a Osesp preferiu antes trabalhar com os professores em cursos de duração de oito meses. O resultado apareceu. Segundo Susana Ester Krüger, coordenadora de projetos da Osesp, 12 mil crianças já passaram pela Sala São Paulo desde então.

Agora, a Osesp desenvolve, em parceria com a USP, um software de composição musical colaborativa, que permitirá a crianças fazer música em conjunto. O programa ficará disponível na internet, em um portal de educação musical denominado Edumusical, que estará no ar em alguns meses.

O programa da Osesp foi feito a partir de amplo levantamento das pedagogias mais modernas do ensino de música. "Embora exista gente usando pedagogias de 1800, há muitas coisas novas", diz Susana. "Está se criando uma tradição de estudos de educação musical muito séria no Brasil."

Essa renovação pode ser constatada em vários colégios, onde a flauta doce até pouco tempo atrás a maior referência de iniciação musical não é mais o único recurso de aprendizado. Hoje, crianças constróem instrumentos rudimentares e adolescentes fazem os primeiros contatos com música clássica. Há também exercícios de percepção e escuta dos sons e ruídos do mundo.

O ensino da música evoluiu no mesmo sentido das teorias pedagógicas. O aluno não é mais visto como receptor de conteúdos, como nos antigos conservatórios. A música tampouco ficou restrita à atividade lúdica. São cada vez mais frequentes projetos em que os alunos são estimulados a distinguir uma linguagem diferente, para só mais tarde conhecer suas características formais. Dessa maneira, a alfabetização musical se dá naturalmente.

A caminhada começa cada vez mais cedo. No berçário Baby Oz, na Chácara Flora, bebês têm momentos de sensibilização musical pelo menos duas vezes por semana, quando escutam músicas e manipulam objetos sonoros. O trabalho se baseia em recentes descobertas das neurociências, que detectaram as chamadas "janelas de oportunidades" fases da infância em que o cérebro está mais aberto ao desenvolvimento de determinadas linguagens, como a música.

Na Escola Carlitos, em São Paulo, o professor Leonardo da Cunha Barros lança mão do que alguns chamam instrumentos "cotidiófanos", feitos a partir de materiais de uso comum, como garrafas, latas e tubos de PVC. Além disso, passeia com os alunos com o objetivo de diferenciar sons. Num parque, as crianças prestam atenção nos sons das ruas, das aves ou do simples pisar na areia e na pedra. "Depois desse envolvimento, começo a trabalhar com os elementos da música."

Na Escola Viva, também em São Paulo, os educadores da 1ª à 7ª série procuram integrar a música às outras disciplinas e ao cotidiano. No dia 11 de setembro, o professor Danilo Tomic trabalhou com as crianças um rap sobre o atentado em Nova York. O canto ilustrou elementos básicos da música, como timbre, altura e intensidade.

A construção dos instrumentos surge como um recurso para aproximar as crianças do mundo dos sons. É o caso da Escola Viva, da Móbile e também da Escola da Vila, onde os alunos podem ter aulas de capoeira, nas quais, além de trabalhar expressão corporal e canto, aprendem a confecção de instrumentos de percussão.

Nessas escolas, o trabalho com a música tem um ponto em comum: atravessou as fronteiras do conhecimento por áreas estanques e reforçou a atividade interdisciplinar integrada a outros objetivos da educação.

Em São Paulo, um paradigma de inter-relação entre música e projeto pedagógico é a Escola Rudolf Steiner, que trabalha com a linha Waldorf. Nessa pedagogia, a música (e as artes em geral) tem um papel central, que permeia as disciplinas.

As aulas de música começam na educação infantil, com o uso eventual da escala pentatônica, uma escala de cinco notas utilizada, por exemplo, em músicas africanas e chinesas, nas quais a inexistência de um tom central produz uma música mais aberta, sem o formato definido da música que mais conhecemos (que é tonal, com uma escala de sete notas, da tradição européia). De acordo como professor Paulo Franco, essa é uma forma de direcionar menos a formação da criança, na medida em que a escala tonal soa resolvida, como algo pronto.

A partir da 3ª série, os alunos podem escolher um instrumento de cordas (violino, viola ou violoncelo) ou sopro (flauta transversal) e integrar uma orquestra ou um coral, com até 250 participantes. "Os alunos aprendem a ler partituras, mas não em detrimento da vivência sonora, que é anterior", afirma a professora Sonia Marx.

Os amantes da música se arrepiam diante de propostas que reduzem a mais elusiva das artes a um papel utilitário. Eles não deixam de ter razão: há uma estreiteza de perspectiva artística numa audição apenas funcional.

O fato, porém, em que pesem as objeções, é que está demonstrado que a música também serve de estímulo ao estudo das mais diversas disciplinas. O educador musical Martins Ferreira, doutor pela USP, em seu livro "Como Usar a Música na Sala de Aula" (Contexto, 238 págs., R$ 29,90), cita dezenas de exemplos de como a música pode motivar o aprendizado de biologia, geografia, português, matemática e outras matérias. No livro, escrito para professores, ele sugere, por exemplo, uma correspondência entre coisas tão distantes quanto a estrutura do chorinho "Odeon" (que se divide em três partes) e o triângulo de Pitágoras.

Além das preocupações com a formação mais ampla dos alunos, outras tendências pedagógicas que chegaram ao Brasil na década de 90 vêm ajudando a música a recuperar seu status. É o caso da Teoria das Inteligências Múltiplas, desenvolvida por Howard Gardner, neurocientista e psicólogo da Universidade de Harvard.

Com grande impacto na educação, a teoria parte dos estudos do cérebro para afirmar que os seres humanos têm pelo menos oito diferentes inteligências. Entre elas, figura a inteligência musical, embora não seja tão valorizada socialmente como a inteligência matemática e a linguística.

Segundo a matemática Katia Smole, doutora pela USP e uma das maiores seguidoras de Gardner no Brasil, entre as novas concepções que sua teoria trouxe para a educação foi mostrar que uma inteligência específica pode abrir diferentes caminhos para o aprendizado. Da música, pode-se chegar à matemática, por exemplo, no estudo das proporções, nas regularidades, na lógica interna da composição musical.

Segundo Smole, não há dúvida de que a música está nas origens da humanidade e associada a outros produtos do saber humano, como a matemática. "Tanto que a escrita matemática e os registros musicais surgem, para a história, de forma muito próxima", diz.

Na pedagogia tradicional, o conhecimento da música é transmitido da mesma forma que o conhecimento da língua escrita: primeiro aprendem-se as notas (como as letras), para depois juntá-las em frases cada vez mais complexas. Isso acontece, muitas vezes, em detrimento do próprio prazer de estudar e ouvir música e acaba privilegiando aqueles que já têm talentos mais desenvolvidos.

Nas metodologias mais contemporâneas, o ponto de partida é o interesse do aluno pela música ou sua percepção dos elementos fundamentais do som. A partir daí, dá-se o aprendizado formal. Da mesma maneira, admite-se que todos, em maior ou menor grau, são capazes de desenvolver determinados níveis de percepção musical.

Desse ponto de vista, todos são capazes de desenvolver alguma sensibilidade para a música, até para tocar instrumentos, se quiserem. Por acreditar que o analfabetismo musical é algo que pode ser corrigido, Ricardo Breim dirige uma escola para onde se dirigem pessoas de todas as idades e profissões, de executivos a estudantes, com a intenção de aprender música pela primeira vez ou retomar um aprendizado interrompido na infância.

Ao mesmo tempo em que forma músicos amadores, Breim se dedica cada vez mais ao trabalho de capacitação dos professores. Ele desenvolveu, com o professor de música Hermelino Neder, o Programa de Percepção e Alfabetização Musical (PAM), método pelo qual treinou dezenas de professores da rede pública estadual, em 1996.

No PAM, o estudo parte de canções, forma musical que predomina na cultura brasileira. "Não ficamos explicando relações abstratas e conceitos difíceis da música, mas levamos o professor a vivenciar o pulso, o ritmo e os modos, até chegarmos à notação musical, a partir dos conceitos desenvolvidos pelos próprios alunos", conta Neder, que aplica o método em colégios como o Vera Cruz e a Escola da Vila.

Para quem vai começar, o que importa, segundo Breim, não é dominar partituras ou buscar conhecimentos profundos sobre estilos, mas recuperar as bases da sonoridade, que todas as pessoas têm. Isso pode ser combinado ao aprendizado de um instrumento ou do canto. "Quase nada é inato, e mesmo a percepção pode ser desenvolvida", afirma.

Em seus cursos, Breim parte de repertórios trazidos pelos próprios alunos. "Ao ensinar e aprender música com música, portanto, o professor pode avaliar o potencial de cada uma delas e as possibilidades de escuta ou de interação que podem levar o aluno a se motivar", diz Breim.

"Ensinar música musicalmente" é justamente a proposta de Keith Swanwick, professor da Universidade de Londres, que está dando um workshop na Uni-Rio, no Rio de Janeiro, a educadores musicais. A presença no Brasil de professores estrangeiros é outro sinal de que o ensino musical está em alta. Swanwick é conhecido por seu trabalho com crianças e adolescentes. Baseado nas idéias de Jean Piaget (1896-1980), ele se interessa pela relação entre o desenvolvimento musical e o desenvolvimento da inteligência.

É raro uma pessoa indiferente a qualquer tipo de música. O poeta João Cabral de Mello Neto, com sua conhecida aversão por música, era uma exceção. Para o sociólogo Luiz Octávio Lima Camargo, doutor em lazer pela Universidade Sorbonne, na França, a universalidade do prazer provocado pela música remonta às origens humanas. Por isso, o aspecto lúdico deve ser considerado quando se fala sobre a importância do aprendizado dos sons.

O sociólogo participou de um dos poucos levantamentos conhecidos sobre o interesse do paulistano pela música, realizado pelo Sesc. Divulgado em 1997, o estudo revelou que 14% da população de São Paulo, com idade entre 15 e 65 anos, toca algum tipo de instrumento, e que 4% se declara compositora de música.

Para Camargo, os números são expressivos. "Em um contexto no qual as pessoas não têm espaço para explorar o prazer de ouvir e fazer música, os dados são um atestado de como a música brasileira se impõe como uma explosão incontrolável da cultura do povo", diz.

Os dados mostram, segundo o sociólogo, a necessidade de políticas públicas que permitam o acesso de todos os segmentos sociais à formação musical. "Não apenas há poucas opções como boa parte das alternativas existentes é orientada por um princípio pedagógico equivocado: visam a formação de virtuoses, e não de pessoas que gostariam de diversificar suas formas de expressão no lazer coti-diano", afirma.

Alexandre Schneider/Folha Imagem
Modesto Carvalhosa
Buscar apenas o prazer da música é o objetivo do jurista Modesto Carvalhosa, 70, que, aos 50 anos, retomou o aprendizado do piano, interrompido aos 12 anos. Amante da música clássica, toca por duas ou três horas semanais e tem aulas de piano. "Para mim, a música é um hábito pessoal absolutamente necessário", conta Carvalhosa, que, no entanto, não tem vontade de compartilhar esse prazer. "Toco apenas para mim mesmo, sou absolutamente recluso", diz. O jurista é um entusiasta do aprendizado musical, tanto que incentiva as duas netas a estudar com bolsas de estudo pagas pelo avô.

O médico Lauro Chamma é outro exemplo de interesse tardio. Há quatro meses, aos 43 anos, acordou para a música. Dono de uma empresa especializada em medicina do trabalho, Chamma buscou na música o remédio para o estresse diário. Em pouco tempo, aprendeu bem mais do que não atravessar o ritmo numa roda de pandeiro: "Descobri que a música é uma linguagem e tem uma estrutura, e isso deu muito mais sentido à música que escuto".

Para José Miguel Wisnik, músico e professor de literatura brasileira da USP, um dos pontos onde a música se encontra com o homem é justamente o aspecto somático. O pulso da música se relaciona a cadências humanas, como a respiração e o batimento cardíaco. Nas partituras, as referências ao andamento remetem a estados de espírito, como "allegro" e "vivace". Os hindus, por exemplo, tinham por base do andamento musical o piscar dos olhos. Além dos aspectos somáticos, existem os psíquicos. "Os sons acontecem em frequências que engatam em frequências nas quais o corpo vibra", diz Wisnik.

Outro ponto ressaltado por estudiosos de várias áreas é a capacidade de a linguagem musical exprimir emoções, o que tem levado a muitas pesquisas na área de musicoterapia.

Na Universidade Federal Paulista (Unifesp), está sendo realizada uma pesquisa coordenada pelo médico Paulo Bertolucci, chefe do setor de Neurologia do Comportamento, que tenta verificar se a música pode ajudar pacientes que sofrem do mal de Alzheimer (que leva à perda de memória) a reter mais lembranças.

De acordo com Bertolucci, na prática, a música já é utilizada para essa finalidade, mas são necessários estudos científicos comprobatórios. Segundo o médico, é provável também que a música funcione como um ansiolítico natural daí sua utilidade no tratamento de distúrbios de comportamento, como a agressividade.

Caio Esteves/Folha Imagem
Alunos em aula de pandeiro em escola de música na Vila Madalena, em São Paulo

Em sua edição de junho, a revista britânica "Nature", uma das mais conceituadas publicações científicas do mundo, reuniu dezenas de estudos que mostram, por diferentes caminhos, a extensão dessas mudanças na mente.

Os estudos indicam diferenças que os estímulos musicais provocam no desenvolvimento do cérebro. Pesquisas mais recentes, realizadas na Universidade de Heidelberg, na Alemanha, demonstram que músicos profissionais possuem mais massa cinzenta na área do cérebro correspondente à audição. Em média, 130% mais do que pessoas sem conhecimentos musicais. Nessa área do córtex auditivo, concentra-se também a memória verbal, que tem papel fundamental no aprendizado de matemática, línguas e ciências.

Embora a expectativa criada por estudos como esse seja a de comprovar ligações entre estímulo musical e inteligência, ainda não há evidências incontestáveis. Ao contrário, a polêmica em torno do propalado "efeito Mozart" segundo o qual crianças estimuladas com sonatas do compositor austríaco desenvolveriam mais capacidades cognitivas apenas tornou os cientistas mais cautelosos.

Na falta de provas, sobram testemunhos acerca dos efeitos da música em outras esferas da vida. Flávia Lopes, 28, que estuda música desde criança e trabalha numa produtora de multimídia, resume a sensação: "A música me dá outros modos de ver o mundo, ajuda no meu trabalho e em tudo o que eu faço". Como diz Caetano Veloso: "Como é bom poder tocar um instrumento".

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Links relacionados:
- Baby Oz - www.colmagno.com.br/Babyoz
- Editora Contexto - www.editoracontexto.com.br
- Escola Carlitos - www.escolacarlitos.com.br
- Escola Móbile - www.escolamobile.com.br
- Escola Rudolf Steiner - www.rudolfsteiner.com.br
- Escola da Vila - www.vila.com.br
- Escola Viva - www.escolaviva.com.br
- Escola Vera Cruz - www.veracruz.g12.br
- Horton Internacional - www.horton-intl.com
- Lei de Diretrizes e Bases da Educação - www.mec.gov.br/home/legislacao/default.shtm
- Ministério da Educação - www.mec.gov.br
- "Nature" - www.nature.com/nature
- Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - www.osesp.art.br
- Parâmetros Curriculares Nacionais - www.mec.gov.br/sef/ensfund/paramnac.shtm
- Sesc - www.sesc.com.br
- Sindicato de Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo - www.sieeesp.org.br
- Sorbonne - www.sorbonne.fr
- Uni-Rio - www.unirio.br
- Universidade Federal Paulista - www.epm.br
- Universidade de Harvard - www.harvard.edu
- Universidade de Heidelberg - www.uni-heidelberg.de
- Universidade São Paulo - www.usp.br

     

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