Descrição de chapéu Ao Vivo em Casa

Deixei de dizer vários 'nãos' aos meus filhos durante a quarentena, conta Antonio Prata

Em live, escritor fala em adaptações na rotina dos filhos e nas dificuldades do convívio intenso

São Paulo

Um período com menos “nãos” aos filhos.

Assim tem sido a quarentena do escritor e colunista da Folha Antonio Prata. Ele está há 20 dias em isolamento com a mulher, Julia, e os filhos, Olivia, 6 e Daniel, 5.

Como o autor paulistano contou na live da Folhinha nesta terça (21), essas têm sido semanas marcadas por várias descobertas tanto a respeito das crianças quanto ao seu próprio estilo de educar.

“Vários ‘nãos’ caíram por terra”, afirmou o escritor a Laura Mattos, jornalista da Folha. “Comecei a reparar a quantidade de ‘nãos’ que eu dava e que não tinham mais razão de ser.”

Por isso, ele se percebe nessa quarentena mais flexível com a rotina dos filhos, permitindo tempo maior para algumas brincadeiras, como jogos eletrônicos, e uma alimentação menos rígida.

Para Prata, autor de livros voltados ao público infantil, como “A Menina que Morava no Chuveiro” (editora Ubu), a pandemia e a quarentena podem ser mais traumáticos para os pais do que para os pequenos. “Para a criança, tudo é a primeira vez. O susto deles é menor.”

Prata costuma se inspirar na rotina com os filhos para escrever seus livros para as crianças. “Jacaré, Não!” (também da ed. Ubu), sua segunda publicação, se baseia em jogos de palavras com os quais brincava com Olivia.

Ele diz, porém, que “nem tudo são flores” nesse período de convivência intensa. É difícil se sentir inspirado para criar num momento em que os pais se desdobram para trabalhar e cuidar dos filhos.

Foto de Antonio Prata - calvo, de óculos e barba
Escritor e colunista da Folha Antonio Prata participa da série de lives - Editoria de Arte

“Queria falar para os pais, na verdade falando para mim mesmo, para que a gente se sinta menos culpado por não conseguir fazer tudo”, diz.

As crianças, contudo, também experimentam angústias. Segundo ele, a maior dificuldade para os seus filhos tem sido a distância dos amigos e, sobretudo, dos avós.

Na live, Prata também lembrou que a preocupação com higiene —para ele, algo comum para qualquer pai ou mãe de primeira viagem— também passa a integrar o cotidiano das crianças.

“Olivia e Daniel agora assistem televisão usando máscaras cirúrgicas”, contou.

O colunista também falou sobre os impactos da pandemia do coronavírus na ficção destinada ao público adulto, que terá de se moldar à nova realidade que surge.

“Mesmo personagens fictícios habitam o mundo que a gente habita. Como fazer uma peça sobre um casal que discute a relação sem mencionar que esse casal passou seis meses junto em casa?”, questiona.

Para ele, “depois desse bombardeio”, a literatura infantil também não terá como escapar do assunto, pois a pandemia repercute em todas as áreas da nossa vida.

Livros infantis de Prata

A Menina que Morava no Chuveiro
editora Ubu,
R$ 44 (48 págs.)
Como gosta muito de tomar banho, a garota Lina sugere aos pais que passe a morar no chuveiro. Como será isso? Com ilustrações de Talita Hoffmann

Jacaré, Não!
editora Ubu,
R$ 44 (48 págs.)
O autor brinca com a ideia de um jacaré surgir em meio a atividades cotidianas. Também ilustrado por Talita Hoffmann

Felizes Quase Sempre
editora 34, 36 págs. Fora de catálogo, pode ser encontrado em sebos online
Contos de fada sempre têm um final feliz. Mas o que acontece depois? Com ilustrações de Laerte


O escritor foi o primeiro convidado da Folhinha na série Ao Vivo em Casa, que traz sugestões de brincadeiras com as crianças e dicas culturais para quem precisa ficar em casa estão entre os temas das transmissões ao vivo, às terças-feiras.

As lives terão duração média de 40 minutos, sempre às 17h. Ao Vivo em Casa será transmitido no site do jornal e pelo canal da Folha no YouTube.

Programação das lives

  1. Quinta-feira

    Poder: A colunista Joana Cunha entrevista Chaim Zaher, dono do SEB (Sistema Educacional Brasileiro)

  2. Sexta-feira

    Comida: A repórter Maríia Miragaia entrevista Manoel Beato, sommelier do restaurante Fasano​

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