Jovens terão outra percepção da finitude, diz Heloisa Prieto

Convivência com a bisavó ajudou a escritora a enfrentar o confinamento

São Paulo

Um dos maiores nomes da literatura infantojuvenil no Brasil e autora de mais de 80 livros, Heloisa Prieto reconhece os males provocados por uma pandemia como a que vivemos.

E como não reconhecer, não é? Só no Brasil, mais de 5.000 pessoas já morreram em decorrência da Covid-19.

Mas a escritora de livros como "Lá Vem História" e "Vó Coruja" acredita que a crise do novo coronavírus também pode deixar lições positivas, especialmente para as crianças e os adolescentes, como ela disse em live da Folhinha nesta terça (28).

"Essa nova geração está passando por experiências e reflexões que as anteriores não passaram", disse Prieto. "A onipotência é algo comum entre os mais jovens, e essa geração vai ter uma outra percepção [da finitude]."

A escritora Heloisa Prieto participa de debate em 2013 - Apu Gomes/Folhapress

A escritora se lembrou da sua bisavó, que viveu a infância na Espanha durante a gripe espanhola, em 1918, que deixou mais de 50 milhões de mortos no mundo todo.

A bisavó de Prieto sobreviveu à pandemia, veio com a família para o Brasil e aqui teve 14 filhos. Só morreu com cem anos e, como se recorda a bisneta, celebrava todos os dias o fato de estar viva.

"A convivência com minha bisavó me preparou para essa situação de confinamento que vivemos hoje", conta a escritora.

A bisavó e outros parentes fizeram das histórias de suspense, com a presença de fantasmas, tradição da família de Heloisa Prieto.

Em meio a tantos episódios de mistério lidos e ouvidos, surgiu um de seus livros de maior sucesso "1001 Fantasmas" (ed. Companhia das Letras), que já teve 25 edições.

O livro inverte as expectativas. Como Prieto conta, "os fantasmas são benéficos. São os adultos que representam a maldade".

Curiosamente, é a história de um garoto que vive confinado, como acontece com tanta gente hoje no Brasil e em outros países. Esse menino decide, então, recorrer a uma sociedade milenar, a 1001 Fantasmas.

Diante de um tema tão atual, Prieto está escrevendo um roteiro com base nesse livro em parceria com Gabriella Mancini. Não deve demorar, portanto, para que "1001 Fantasmas" vire filme.

Na live da Folhinha, em entrevista à jornalista da Folha Laura Mattos, a escritora também falou sobre os medos das crianças, que tendem a se tornar maiores e mais frequentes nessa época de crise.

"Escrever à mão e desenhar são boas formas de enfrentar o medo. Conversar [com familiares e amigos] também ajuda", recomenda.

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