Livro infantil reinventa cantigas tradicionais e as transforma em cordel

'Sete Cordéis para Sete Cantigas' tem autoria de Cristiano Gouveia

São Paulo

Afinal, por que o sapo não lava o pé? Deve existir um motivo para o cravo ter brigado com a rosa debaixo de uma sacada, mas qual é? E a dona Aranha, para quê foi subir pela parede?

O livro “Sete Cordéis para Sete Cantigas”, escrito por Cristiano Gouveia, imagina as respostas para essas e outras perguntas, a partir das histórias de canções tradicionais da cultura brasileira.

Ilustração do mapa do brasil com símbolos regionais
Ilustração do livro "Sete Cordéis Para Sete Cantigas", vencedor do PROAC 2019 - Divulgação

O livro propõe uma brincadeira literária criativa: uma ciranda que mistura literatura de cordel e cantigas infantis, envolta pelos elementos fantásticos dessas canções, como galos viajantes, flores que disputam uma peleja (uma discussão entre poetas) e as aventuras de um boi.

O resultado são sete poemas de ritmo rápido e cadência suave, que buscam “um olhar de curiosidade, de descoberta de um mundo inventado para as personagens dessas canções”, como explica Gouveia.

Escritor, músico e contador de histórias há duas décadas, ele encontrou no cordel o caminho para transformar as cantigas em histórias, e as histórias em poemas.

Um dos gêneros literários mais importantes da literatura brasileira, o cordel explora as rimas e outros recursos musicais da nossa língua para contar histórias de todos os tipos, lendas, acontecimentos cotidianos, fatos históricos... Enfim, tudo pode virar cordel.

O gênero é antigo, nasceu na Europa no século 16. O nome "cordel" faz referência aos cordões que formavam um varal de poemas onde, em Portugal, escritores penduravam os folhetins para vender suas histórias nas ruas.

No Brasil, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, a literatura de cordel se tornou muito popular ao longo dos séculos e foi declarada patrimônio cultural em 2018.

A tradição do cordel também aparece nas ilustrações do livro, feitas pelo próprio Gouveia. Ele conta que mergulhou “nas xilogravuras, nas ilustrações de folhetos de cordel, nas antigas iluminuras medievais” e até em desenhos rupestres.

“Sete Cordéis” evoca, assim, diversos elementos de imaginários antigos e da memória cultural brasileira para reinventar canções familiares, ampliando suas narrativas e criando um jogo lúdico no qual todas as peças representam a arte e a cultura populares do país.

Sete Cordéis Para Sete Cantigas

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