Palavra Cantada lança músicas para bebês e prepara show

Projeto Concerto para Bebês tem clipes publicados quinzenalmente

São Paulo

Já faz 25 anos que a Palavra Cantada sabe “o que que tem na sopa do neném”. Agora vai mostrar o que que tem na música do neném.

A premiada dupla, sucesso entre pais e crianças, lança projeto de melodias para bebês, dentro e fora do útero.

O Concerto para Bebês começou na sexta-feira (7) com a publicação de um clipe nos canais da Palavra Cantada do YouTube, Instagram e Facebook, e outros serão lançados nas mesmas plataformas, quinzenalmente, até o final deste ano.

Sandra Peres toca marimba de vidro
Sandra Peres toca marimba de vidro no Concerto para Bebês - Divulgação

Em 2021, quando a pandemia permitir, estreia um espetáculo com formato especial para deixar os bebês mais livres na plateia.

E, por fim, haverá o lançamento de um documentário sobre o poder que a música exerce nessa fase inicial da vida, em parceria com a Loma Filmes, produtora do filme “Hebe - A Estrela do Brasil”.

A criação e direção musical do Concerto para Bebês é da cantora, compositora e musicista Sandra Peres, que desde 1994 forma com Paulo Tatit a Palavra Cantada. O projeto vinha sendo gerado havia seis anos e nasceu no confinamento, em que ela se isolou com a sua mãe em um sítio, em uma reserva florestal de São Paulo.

“Eu não escolhi ser mãe, mas sempre observei o momento do nascimento, das mudanças emocionais e espirituais que traz para a família”, diz Sandra, que não tem filhos.

Sua intenção é que as músicas possam retratar essa experiência “mágica, sublime e de exuberância” da gestação e de dar à luz. Isso se traduz, em parte, naquele tom mais calmo que costuma ser associado a músicas para bebês, mas não só.

“A gente não pode ficar só na caixinha de música. Isso faz parte, claro, mas a gravidez e o nascimento não são sutis. São profundos, e isso tem que estar nas músicas.”

Para isso, mistura sons mais delicados a outros agudos e, especialmente, aos graves.

“Nascer não é fácil. E o tom grave é o chão. Nesse começo de vida, precisamos aterrar. Sentir a vida pulsando não é apenas delicado e sutil. É preciso escutar outros elementos do mundo que vivemos”, diz Sandra, que aposta na música como um elemento de transcendência e de comunicação entre os pais e o bebê.

São inspirações os sons da placenta, do ritmo do pulsar do coração da mãe, e o projeto usa percussões e instrumentos dos mais diversos, como taças de cristal, chocalhos de sementes e a kalimba, uma pequena placa de madeira com teclas de metal, espécie de “piano de dedo”.

O instrumento central é uma marimba, que tem origem africana e se parece com um piano, mas as teclas são tocadas com baquetas. A que Sandra utiliza é feita de vidro, criação do respeitado grupo mineiro Uakti, do qual fez parte o percussionista Paulo Santos, que participa do Concerto para Bebês.

Já Tatit não toca com Sandra nesse projeto, mas assina algumas canções inéditas. Músicas antigas da Palavra Cantada também terão uma releitura para os bebês.

Para o show, Sandra planeja projeções coloridas de formas variadas, além da imagem de bebês. E um ambiente adaptado ao público, “que não assiste a um show passivamente”.

Palco e plateia estarão mais próximos, em uma ligação mais, digamos, umbilical. “A ideia é que seja uma experiência imersiva, um abraço sonoro”, diz.

O documentário, em fase de captação de patrocínio, deve filmar cenas desse espetáculo e entrevistar especialistas como neurocientistas, psicólogos e pedagogos, a fim de mostrar o poder da música nas emoções e no desenvolvimento dos bebês.

Por fim, algo que os fãs certamente esperam: o Concerto para Bebês terá, sim, uma nova versão da “Sopa do Neném”. Sobre esse que virou o maior sucesso da Palavra Cantada e não pode faltar nos shows, Sandra brinca: “A sopa é um bem necessário”.

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