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Flipinha estreia formato online e aproxima crianças dos autores

Conversas com escritores serão transmitidas pela internet a partir desta terça (24)

São Paulo

Nem mesmo o vírus mais chato dos últimos tempos foi capaz de impedir a Flipinha de acontecer. Mas, antes, para quem não se lembra: a Flipinha é um dos maiores eventos literários do país, e todos os anos toma conta de Paraty, cidade no litoral do Rio de Janeiro.

Com a pandemia, foi preciso adaptar o formato do evento e transformá-lo em uma festa online —mais ou menos como as escolas tiveram de fazer com as aulas.

Só que, neste caso, em vez de professores falando na tela, são os escritores.

Assim, a Flipinha 2020 acontece entre esta terça (24) e sexta (27), com transmissão pelo site da Flip, diariamente às 9h30 e às 14h30. As mesas serão apresentadas pela atriz Bianca Martins (a Bianca Paraty, como ela gosta de ser chamada) e trarão sempre dois escritores.

Na curadoria deste ano está uma comissão com oito educadores de Paraty, que trabalham na região.
Além de selecionar os autores, eles também desenvolveram todo o formato da programação.

“Os autores enviaram vídeos e áudios dirigidos aos professores e aos alunos locais, e a gente editou esse material para ficar leve e ser transmitido pela internet”, explica Belita Cermelli, diretora de cultura e educação da Flip e da Casa Azul, e responsável pelo Educativo Flip.

O festival abre com a mesa “Pra preconceito velho, o remédio é um livro novo”, em que conversam Geni Guimarães e Júlio Emílio Braz. Ela foi a primeira professora negra de São Manuel, em São Paulo, onde nasceu em 1947. Já publicou oito livros, quatro deles infanto-juvenis.

A escritora está sentada numa cadeira segurando um vaso de orquídeas
Geni Guimarães, uma das autoras da Flipinha 2020 - Divulgação

Já Braz é mineiro de Manhumirim e, aos cinco anos de idade, se mudou para o Rio de Janeiro. É autor de 150 títulos, e vencedor do Prêmio Jabuti de 1988.

Na quarta-feira (25), uma mesa com Adriana Carranca e Roseli Mendonça debate o tema “Pouco importa azul ou rosa, minha infância é mais preciosa”, enquanto na quinta-feira (26) Andrea Viviana Taubman e Odivia Barros falam sobre intimidade e segurança na mesa “Meu corpo é meu, não é seu!”.

“A dificuldade do formato online é a mesma de se viver em tempos de pandemia, que é não ter o contato humano. Na Flipinha, as experiências presenciais sempre foram multidimensionais. Você está andando na Praça da Matriz, vê um livro, vê pessoas, e seu cérebro está tendo uma experiência muito rica”, avalia Belita.

“Já o online é um mundo controlado, tem hora para começar e terminar. O que tinha antes e depois das mesas não é mais a troca comum em um evento literário. É algo recortado”, diz. Mas, embora saiba das dificuldades, Belita também acredita no poder de alcance do novo formato.

“Antes a gente podia ter cem pessoas na plateia, agora pode ter muito mais. E quem estará nas lives não são só os autores, porque recebemos as perguntas antes e vamos subir na live. A criança vai se ver na tela”, adianta.

“Uma das coisas que a Flip e a Flipinha fizeram por Paraty foi desmistificar o livro para a criança. Antes, você colocava um livro na frente dela e ela não sabia se podia mexer. Agora, o livro virou um objeto de desejo na cidade. E, se ele passou por esse processo, agora vamos aproximar a criança do autor. Ela vai ver que ele se parece com ela, que não é um personagem fictício”, finaliza Belita.

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