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Chiquinha Gonzaga 'bateu o pé' e mudou história da música

Vida da compositora da primeira marchinha de Carnaval aparece em "Ô Abre Alas"

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São Paulo

Era uma vez uma cidade cinza. Nela, ninguém podia cantar, tocar música ou dançar. Em volta, tinha um muro bem alto, para nenhuma pessoa entrar. Um dia, uma raposa apareceu ali, e as coisas ficaram diferentes.

É assim que começa o livro “Ô Abre Alas”, do escritor e ilustrador Duda Oliva. Ele explica que sempre gostou de raposas, porque elas são misteriosas e espertas.

A raposa toca sua flauta enquanto uma garotinha se aproxima dela. Os adultos à sua volta estão com cara de espanto e medo, e parece que vão impedir a criança de se aproximar da raposa
No livro "Ô Abre Alas", uma menina fica feliz com o som da flauta da raposa, mas os adultos parecem ter medo - Reprodução/Duda Oliva

E conta que a raposa deste livro está em busca de lugares tristes, tentando levar a eles um pouco de cor com o que guarda debaixo da sua capa.

Claro que o leitor só descobre o segredo da capa no final. Até lá, acompanha a raposa, ao mesmo tempo em que aprende sobre uma personagem importante: a compositora Chiquinha Gonzaga.

“Um dia, eu estava ouvindo algumas músicas bem antigas, mais velhas que minha vovó, e acabei descobrindo Chiquinha Gonzaga”, lembra Duda, que ficou com vontade de homenageá-la e por isso escreveu o livro “Ô Abre Alas”.

Ele diz também que gosta muito de carnaval e de estudar história. E Chiquinha, ele explica, viveu em uma época em que meninas não podiam fazer muitas coisas, igual acontece com as pessoas do livro.

“Agora imagina a cara de todo mundo quando ela bateu o pé, tocou o que queria, e ainda por cima misturou um monte de ritmos para inventar a primeira marchinha de Carnaval?”, pergunta Duda.

Essa marchinha de que ele fala é “Ô Abre Alas”, que dá nome ao livro, e que foi composta por Chiquinha em 1899.

“O que torna essa história ainda mais incrível é que ela foi a primeira mulher a conduzir uma orquestra no Brasil, e ainda ajudou a criar o que a gente conhece como uma música brasileira de verdade.”

Para ele, existem várias maneiras de se envolver com o livro. “Às vezes a gente se perde nas ilustrações, em outras a gente fecha os olhos bem forte enquanto ouve alguém contando, e tem vezes que a gente gosta de ler sozinho”, fala.

“Gostaria que a música inspirasse mudança, derrubasse muros e abrisse abraços. Acho que este é um dos feitiços mais fortes da música, nos inspirar um mundo melhor.”

E, já que Duda é fã de Carnaval, como será que vai fazer este ano, sem festa, por causa do coronavírus?

“Adoro me vestir, usar máscaras e ser quem eu quiser. Estou com saudade, e acho que vou ligar para alguma amiga e pintar o rosto para a data não passar em branco.”


Ô ABRE ALAS

Duda Oliva, Saíra editorial, 48 páginas (R$ 35)

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