Descrição de chapéu Deixa que eu leio sozinho

Curupira e sereia Iara viram desenho na peça 'Contos de Papel'

Espetáculo mistura contação, música e ilustrações do folclore brasileiro

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

Existe um jeito de contar histórias chamado “causo”, que é quando a pessoa leva um tempão para chegar ao final, às vezes usa rimas e piadas, e sempre deixa quem está ouvindo em dúvida se tudo aquilo aconteceu de verdade ou não, de tão fantásticas que as coisas parecem.

Os “causos” são muito importantes para a cultura brasileira. Eles ajudam a preservar riquezas que vão muito além do dinheiro, como os costumes e as lendas do país —o chamado folclore.

O espetáculo “Contos de Papel” nasceu do amor ao folclore e às figuras mais famosas do nosso imaginário. Três artistas se reuniram para contar “causos” para crianças, e falar do curupira, do lobisomem, da sereia Iara e do surgimento da vitória-régia.

Curupira observa crianças passeando na floresta, na peça "Contos de Papel"

A peça online mistura as contações de histórias da atriz Isis Madi com as ilustrações feitas à mão pela desenhista Clara de Cápua, que interagem com as cenas e às vezes são produzidas em tempo real. E tudo isto ao som da música ao vivo de Lari Finnochiaro, que toca violão e canta.

A ideia para “Contos de Papel” surgiu em 2019, quando a filha de Isis, que na época tinha seis anos, perguntou à mãe por que o curupira não ajudava a resolver as queimadas na Amazônia, que naquele ano chegaram a produzir fumaça até na cidade de São Paulo, de tão fora de controle que estavam.

“A gente percebeu que muitas das histórias do folclore vêm dos ‘causos’. Tem o ‘causo’ de alguém que viu o saci, o de alguém que encontrou o curupira. Daí fui me lembrando de uma viagem que fiz com minha filha para a Amazônia, e de criaturas misteriosas que apareceram nela”, conta Isis.

“A gente está sempre brincando com algo que não sabe ao certo se aconteceu ou se não aconteceu, se é real ou se não é real”, completa a ilustradora Clara. “A gente fica nesse lugar do mistério, da potência da floresta e da natureza.”

Clara lembra que ela e Isis fizeram, há algum tempo, uma peça chamada “O Toque de Midas”, que falava sobre mitologia grega. Naquela ocasião, elas ficaram muito impressionadas com o conhecimento das crianças da plateia sobre o assunto.

Isis Madi e Clara de Cápua com ilustrações da peça "Contos de Papel"

“Elas sabiam tudo dos deuses, dos poderes, das histórias e seus mitos. Achamos incrível, mas também ficamos nos perguntando sobre os nossos mitos, e se poderíamos fazer algo legal com eles”, explica.

O principal desafio, diz Clara, foi pensar em como retrataria o curupira. “Minha sensação era de que se eu criasse e já mostrasse o resultado, ia acabar toda a magia da coisa. De certa maneira reduziria a figura dele, porque o interessante é tudo que você imagina e não sabe sobre ele.”

Como todo o roteiro de “Contos de Papel” foi sendo escrito junto com Isis e Lari, Clara também foi elaborando seus desenhos já pensando em como cada um seria usado nas cenas do espetáculo. E em todos eles Clara coloca um pouquinho de mistério.

“Tive que pensar em como retratar algo que não está muito delineado, que só aparece rapidinho, um borrão, uma sombra”, fala.

Além dos desenhos que Clara produz em papel canson, com lápis aquarelável e nanquim, também fará parte de “Contos de Papel” a arte de algumas crianças seguidoras da página de Isis no Instagram.

Convidados pelas artistas, os espectadores fizeram e enviaram suas versões do curupira, que agora vão compor uma imagem coletiva dele.


CONTOS DE PAPEL

De Isis Madi, Clara de Cápua e Lari Finocchiaro. De 27/3 a 11/4. Sáb. e dom., às 11h. No canal de Isis Madi no Youtube (www.youtube.com/user/IsisMadi). Gratuito.

DEIXA QUE EU LEIO SOZINHO
Ofereça este texto para uma criança praticar a leitura autônoma

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.