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Ruth, Rocha, Rainha

Escritora Ruth Rocha, criadora de "Marcelo, Marmelo, Martelo", completa 90 anos de vida

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São Paulo

A escritora Ruth Rocha sempre gostou muito de comemorar aniversários com grandes festas, cheias de familiares e de amigos queridos. Mas, neste ano, Ruth infelizmente não vai poder fazer isso. Ela até já tomou a vacina contra o coronavírus, mas sabe que precisa se cuidar até o fim da pandemia.

Ruth completa 90 anos nesta terça (2). Ela conta que vai celebrar com uma festinha virtual. “Vou mandar comida para as pessoas da minha família. Minha filha e meu neto vêm aqui comer comigo, e vamos filmar isso. Foi o jeito que encontramos”, explica.

Ruth Rocha escreveu mais de 200 livros em 90 anos de vida (Foto: Karime Xavier / Folhapress) - Folhapress

Se pudessem fazer parte presencialmente do aniversário de Ruth, alguns de seus melhores amigos escritores já tinham até pensado no que levariam de presente para ela. Pedro Bandeira, autor de “O Fantástico Mistério de Feiurinha”, revelou que daria à amiga “90 ramalhetes de carinho, e 90 de gratidão”.

O presente de Ana Maria Machado, que escreveu “Bisa Bia, Bisa Bel”, também entrou na brincadeira. “Levaria um convite carinhoso para fazermos mais alguma viagem juntas, deixando o destino à sua escolha”, disse.

“O meu presente imaginário para Ruth é uma varinha mágica para acabar com a pandemia”, desejou Eva Furnari, autora de “Não Confunda”. E Ilan Brenman, que publicou “Até as Princesas Soltam Pum”, teve uma ideia interessante, inspirado na Grécia Antiga.

“Contam que Alexandre, o Grande, nunca desgrudava de uma caixa nas suas infindáveis viagens pelo mundo. Um dia, perguntaram o que tinha dentro dela, e ele respondeu: ‘o maior tesouro de todos os tempos!’. Ele guardava na caixa um exemplar da ‘Ilíada’, de Homero. Se pudesse, daria essa caixa e o livro para a Ruth”, pensa Ilan.

Ruth Rocha nasceu em 2 de março de 1931, em São Paulo. Já ganhou oito vezes o troféu mais importante para quem escreve livros, o Prêmio Jabuti.

Publicou 213 livros, entre eles “O Reizinho Mandão” e “Marcelo, Marmelo, Martelo” —este, aliás, vai virar série, depois que a ViacomCBS anunciou em 2020 a compra dos direitos da história.

O livro conta a história de Marcelo, um menino que, de uma hora para a outra, começa a questionar o porquê de as coisas terem os nomes que têm. Ele quer chamar colher de mexedeira, por exemplo, e o cachorro, de latildo.

“Todas as histórias que a gente faz é sempre pensando nas crianças que conhece. Penso assim: ‘as crianças de sete anos fariam isso?’. E a inspiração vem de tudo, inclusive vinha da minha filha e dos amigos dela que vinham aqui em casa”, lembra Ruth.

Quando sua mãe escreveu “Marcelo, Marmelo, Martelo”, Mariana Rocha tinha 11 anos. Hoje, aos 56, ela acaba de lançar o “Almanaque do Marcelo e da Turma da Nossa Rua” (editora Salamandra, de quem Ruth Rocha é autora exclusiva), seu primeiro livro escrito junto com Ruth, e com ilustrações de Mariana Massarani.

Além de escritora, Ruth Rocha também é socióloga, como chamam os profissionais que trabalham estudando as relações das pessoas na sociedade, e orientadora educacional.

Escreveu colunas sobre educação em revistas, e se especializou no olhar direcionado às crianças. Ela tem dois netos, de 23 e 26 anos. São “os netões”, como ela diz, e não mais netinhos.

“A gente brincava muito quando eles eram pequenos. Eles passavam o fim de semana comigo, e brincávamos o dia inteiro. Eu adorava. Tenho foto deles, pequenininhos, deitados na minha cama. Era uma coisa muito gostosa”, conta Ruth.

Para ela, a melhor parte de chegar aos 90 anos é a família. “Eu tenho uma família muito bonita, muito querida e muito próxima. Todos nos gostamos, então vale muito a pena”, acredita.

E será que alguém que já publicou mais de 200 livros tem dias em que não está com muita vontade de estudar e escrever?

“Eu tenho preguiça também! E acho normal ter. Mas não podemos perder esse tempo que estamos passando em quarentena. A gente tem que estudar, fazer lições, tudo para não ficar para trás”, aconselha.

“Ruth domina perfeitamente a linguagem narrativa, brincando com palavras de forma a tornar interessante o que conta. E o faz de forma divertida, que ao mesmo tempo se serve do humor e da poesia”, acha a amiga Ana Maria Machado.

“Tem valores éticos e humanistas sólidos e consegue compartilhá-los com os leitores de forma leve e lúdica, sem didatismos chatos. Tem coragem de não fugir de verdades desagradáveis, e criança esperta sente de longe o cheiro de covardes nessa área, detestando-os", completa.

Pedro Bandeira chama Ruth de “fenômeno da literatura”. Ilan Brenman compara a escritora com craques do futebol. E, para Eva Furnari, os livros de Ruth Rocha são uma “literatura inteligente, consistente e prazerosa”.

Entre tanta admiração e relações de amor com a família e os amigos, Ruth diz que a coisa mais importante que aprendeu nos seus 90 anos de vida foi ter esperança.

“A esperança é o sentimento que leva a gente para a frente, que leva a gente a não ter tanta preguiça”, brinca. “Esperança é a segurança de que a gente vai ser feliz.”

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