São Paulo, segunda-feira, 20 de novembro de 1995
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Bloch, dono da Manchete, morre aos 87

DA REPORTAGEM LOCAL; DA SUCURSAL DO RIO; DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Empresário não resiste a cirurgia cardíaca realizada em São Paulo; sobrinho vai assumir a direção do grupo
O empresário Adolpho Bloch, 87, morreu às 3h10 de ontem, durante cirurgia cardíaca no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo.
Bloch sofreu embolia pulmonar e disfunção da válvula mitral, segundo informação dos médicos que o atenderam. Antes da cirurgia, foram tentados recursos clínicos e terapêuticos que dispensassem a realização da operação.
O empresário era presidente das empresas Bloch e da Rede Manchete de rádio e TV. Na manhã de ontem, o corpo de Bloch foi trasladado para o Rio de Janeiro.
Bloch nasceu em Kiev, na Ucrânia, e junto com sua família chegou ao Brasil em 22.
O corpo de Bloch foi velado durante o dia de ontem na sede do grupo Bloch, na Glória (zona sul do Rio). O enterro será hoje, às 14h, no Cemitério Israelita, em São João de Meriti (Baixada Fluminense).
O prefeito do Rio, César Maia (PFL), e o escritor Josué Montello, presidente da Academia Brasileira de Letras, foram ao velório. "Ele tinha intuição para os vetores de construção do país, como foi seu apoio ao presidente Juscelino Kubitschek", disse Maia.
O presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou a morte de Bloch. Por sua assessoria de imprensa, divulgou a seguinte nota: "Um brasileiro que amou o Brasil, que teve o Brasil como pátria de adoção, deu uma grande contribuição ao desenvolvimento das comunicações e da cultura".
O governador Marcello Alencar (PSDB) também distribuiu aos jornais nota lamentando a morte. "Ele se encantava com as realizações no campo das artes, já que no campo dos negócios não procurava com avidez o lucro", escreveu.
Pedro Jacques Kapeller, 57, sobrinho de Bloch, o sucederá na presidência do grupo, que reúne a TV, a editora, a gráfica e a Rede Manchete de rádio.
Sem filhos, Bloch preparou o sobrinho para ocupar o cargo ao longo dos últimos anos. Jaquito, como é conhecido, começou a trabalhar nas empresas muito jovem e, como sempre tratou Bloch por "titio", este acabou sendo o apelido do presidente do grupo.
"Mesmo nas reuniões mais sérias, a gente sempre tratou o Adolpho Bloch por titio", disse Dalce Maria, assessora de imprensa da Rede Manchete.
Jaquito terá de administrar uma dívida de mais de R$ 80 milhões com o Banco do Brasil e duas grandes disputas judiciais.
O grupo Bloch é o maior devedor do BB. Só a Bloch Editores devia até o fim de 1994 R$ 69,3 milhões ao BB. A dívida da TV Manchete era de R$ 11,4 milhões.
Segundo sua assessoria de imprensa, o grupo está questionando na Justiça o valor da dívida. Alega que o BB estaria cobrando taxas de juros acima das legais e que, por isso, a dívida seria menor.
Outra disputa judicial diz respeito à propriedade da TV Manchete. Em 1992, a família Bloch vendeu a emissora para o empresário Hamilton Lucas de Oliveira, dono da IBF (Indústria Brasileira de Formulários).
Os Bloch conseguiram retomar o controle da emissora em outubro de 1993, alegando que Oliveira não teria cumprido as cláusulas do contrato. O caso está no Tribunal de Justiça do Rio, que ainda não tomou uma decisão final.

Colaborou a Sucursal de Brasília

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