São Paulo, domingo, 15 de dezembro de 1996
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'Sacoleira' chega a ter lucro de 100%

NELSON ROCCO
DA REPORTAGEM LOCAL

Elas não gostam de ser chamadas de "sacoleiras" -preferem a classificação representantes de moda-, mas estão fazendo a vida comprando roupas e acessórios em regiões atacadistas e revendendo em domicílio.
O trabalho, geralmente, é informal, e a margem de lucro pode variar de 25% a 100%.
Izis Ribeiro Damasceno, 29, compra roupas em São Paulo e revende em Mogi das Cruzes (50 km a leste de São Paulo), onde mora há três anos.
"Vendo para amigos, funcionários de bancos e para o pessoal que mora nos sítios na região." Izis tem um Kadet ano 94, que a leva para atender a clientela.
Lucro
Ela considera a atividade "excelente" e diz que vende entre R$ 3.000 e R$ 4.000 por mês. A margem de lucro, afirma, é de 25%.
Maria Ortiz (nome fictício), 65, revende roupas em casa e na casa de suas "freguesas" há 25 anos.
Ela diz que faz compras nos bairros Bom Retiro (região central) e Itaim (zona oeste). Seus produtos são roupas para jovens e mulheres.
"Se tiver clientes para atender, saio todos os dias. Normalmente, marco hora pelo telefone."
Segundo Maria, sua margem de lucro varia de 80% a 100% sobre os preços pagos no atacado.
Ela não revela o faturamento, mas afirma que já comprou um apartamento no bairro de Higienópolis (região central de São Paulo) carregando sacolas.
Patrimônio
Vitalina Albuquerque, 62, conta que trabalhou como "sacoleira" durante 30 anos. Agora está aposentada.
Vitalina diz que, com o que ganhou como "sacoleira", comprou sua casa em Guarulhos (Grande São Paulo), uma casa de praia em Mongaguá (litoral sul de São Paulo) e cuidou dos três filhos.
"Foi um bom trabalho. Ganhei muito dinheiro", comemora.
Tomando seu caso como exemplo, Vitalina recomenda a quem queira entrar no ramo a comprar apenas uma dúzia de cada peça. "Eu não gostava de vender muitas roupas iguais, porque as clientes reclamavam."
Outra estratégia, segundo ela, é trocar constantemente de fabricante e fornecedor.
Movimento
É difícil estimar o volume de dinheiro movimentado pelas sacoleiras.
Nelson Gonçalves, presidente do Clube dos Dirigentes Lojistas do Bom Retiro (bairro que concentra fabricantes e atacadistas de confecções), afirma que as sacoleiras se misturam com os pequenos varejistas e não é possível quantificar valores.
Pesquisa realizada pela Fairway Filamentos (uma joint venture entre Rhodia e Hoescht) com 450 pessoas na Grande São Paulo, concluída semana passada, mostra que as "sacoleiras" devem abocanhar 18,4% das vendas do comércio no Natal.
Luciano Limongi, 44, dono de três lojas Tricologia, afirma que as "sacoleiras" são responsáveis por um terço das vendas. "Elas representam cerca de R$ 80 mil de faturamento por mês."
Ele diz que, para conquistá-las, facilita o pagamento e faz trocas de mercadorias.

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