São Paulo, sexta-feira, 26 de abril de 1996
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Ex-PM confessa culpa em chacina no Rio

RONI LIMA
DA SUCURSAL DO RIO

Às vésperas do início do julgamento de quatro homens acusados pela chacina da Candelária, no Rio, o caso sofreu uma reviravolta.
O ex-soldado da PM Nelson Oliveira dos Santos Cunha se entregou, confessou o crime e inocentou três dos quatro réus.
Na chacina, oito meninos de rua que dormiam nas imediações da igreja da Candelária foram mortos, em 23 de julho de 1993.
Além dos quatro acusados que serão julgados (três policiais militares e um serralheiro), novas investigações haviam apontado Cunha, três PMs e um ex-PM como outros participantes da chacina. Um dos suspeitos já morreu, e outros três foram presos há duas semanas.
Procurado pela polícia, Cunha se entregou anteontem e, em depoimento, confessou ter participado do crime.
Igreja Batista
O ex-PM disse que tinha se tornado fiel da Igreja Batista, que se arrependera do crime e que queria inocentar os que estavam presos erroneamente.
Pela confissão, quatro pessoas participaram da chacina dos oito meninos de rua. Mas, dos quatro réus que serão julgados agora, apenas o soldado Marcos Vinícius Borges Emanuel seria culpado.
Emanuel será o primeiro a ser julgado, na segunda-feira.
O promotor do 2º Tribunal do Júri José Muiños Piñeiro Filho disse que a confissão de Cunha está coerente com vários detalhes narrados Wagner do Santos, testemunha da chacina.
Mas, segundo ele, os acusados da nova versão não batem com outros supostos criminosos apontados pela testemunha.
Piñeiro não quis comentar a situação dos réus inocentados por Cunha -o tenente PM Marcelo Cortes, o soldado PM Claudio Luís dos Santos e o serralheiro Jurandir Gomes de França.
Segundo o promotor, dependerá do andamento do julgamento a exclusão ou não desses três réus do processo.
Piñeiro afirmou que o Ministério Público só vai se pronunciar em plenário.
Revólver
Ontem, policiais encontraram na casa de Cunha o revólver 38 dele, que teria sido usado na chacina.
Participaram também da chacina, segundo o ex-PM Cunha, o soldado da PM Marcos Aurélio Alcântara e o ex-soldado Maurício, conhecido como Sexta-Feira 13, que já morreu.
Alcântara foi preso há duas semanas.
Ontem à tarde, a atriz Sônia Braga participou de manifestação em frente ao Fórum, pedindo justiça e punição para os responsáveis pelas mortes na Candelária.

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