São Paulo, quinta-feira, 28 de novembro de 2002

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"THE ETERNAL NOW"

Fotógrafo baiano lança livro e faz exposição com imagens de estúdio realizadas durante 30 anos

Mario Cravo Neto surge eternamente agora

Mario Cravo Neto/Divulgação
A partir da esq., 'Nini Theilade, Danish Royal Ballet, 2000' presente no livro e na mostra; 'Atotô Olodé, Senhor dos Caminhos', que integra instalação; e 'Akira Profile with Talc, 97', que ilustra a capa da obra

EDER CHIODETTO
EDITOR DE FOTOGRAFIA

Mario Cravo Neto disse há alguns anos para um grupo de fotógrafos que a ele pouco importa a fotografia em si. Não são imagens o que busca, mas a narrativa daquilo que está o tempo todo presente e raramente visível.
A fotografia seria, assim, uma forma de estancar a sangria do tempo; não para divisar o antes e o depois e demarcar questões temporais, prática comum à fotografia, mas, antes, um jeito de capturar nos instantâneos uma série de entidades e ritos, procissão silenciosa de arquétipos que se manifestam o tempo todo nos nossos gestos, no cotidiano.
Uma bela comprovação dessa tese, movida pelo sensorial, é o belíssimo e irretocável livro "Laróyè" (Áries Editora), lançado em 2000, com imagens colhidas nas ruas e praias de Salvador, local onde "encontra-se o que a gente tem carinhosamente em comum e não agressivamente o que tem de diferente", nas palavras de Pierre Verger, mestre que deu régua e compasso a Cravo Neto.
"Laróyè" reuniu imagens feitas entre 1974 e 2000 e revelou o até então pouco conhecido trabalho cor do artista, que se projetou no circuito das artes com seus retratos em preto-e-branco.
E é justamente seu trabalho mais conhecido que acaba de ser editado no livro "The Eternal Now" (Áries Editora), lançado na semana passada na galeria André Millan, a qual abriga uma mostra com pouco mais de 20 imagens e uma instalação com fotos de "Ilé Opó Aganju", trabalho em progresso sobre o candomblé, projetadas nas paredes do espaço.
Foi um acidente automobilístico ocorrido em 1975 que, ao privar o artista de andar por um longo período, o obrigou a limitar-se ao espaço de seu estúdio, onde realizou grande parte de sua obra. Daí a sua fotografia desse período beber mais na fonte da escultura, influência direta do escultor Mario Cravo Junior, seu pai, que da própria fotografia. Artista recluso, imaginação alada. A fusão do rigor estético do pai com os ensinamentos de mestre Verger encontraram na explosão criativa de Cravo Neto o berço da criação voluntariosa. "The Eternal Now" é a expressão da vida. A percepção de que eterno é o presente. "Viver é sentir-se perdido num momento de beleza", diz o artista.

The Eternal Now



    
Autor: Mario Cravo Neto
Editora: Áries
Quanto: R$ 200 (240 págs.)
Exposição: galeria André Millan (r. Rio Preto, 63, tel. 3062-5722)
Quando: de seg. a sex., das 10h às 19h, sáb., das 11h às 17h; até 21/1 (fechado de 23 de dezembro a 5 de janeiro)
Quanto: obras a US$ 5.000



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