São Paulo, quinta, 1 de maio de 1997.

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NO AR
Inferno de FHC

NELSON DE SÁ
da Reportagem Local

FHC reagiu à derrota e colocou o verbo para funcionar. Saiu dando as declarações que havia negado um dia antes -quando deixou a opinião pública ao nada comunicativo, visualmente derrotado Antônio Kandir.
FHC foi desdenhoso com os adversários e sedutor nos argumentos. No Jornal da Band, TJ, Globo News, surgiu dizendo, de início conciliador:
- O governo espera com tranquilidade a decisão da Justiça e, como sempre, vai cumprir a lei... Mas vai cumprir também o programa que o Brasil já aprovou.
Não conseguia conter a irritação diante da derrota, reiterada ontem em tom desagradável à competência advocatícia do governo. A Globo News deu que o relator do STJ teria declarado, ontem:
- O recurso da Advocacia Geral da União não está bem fundamentado...
FHC espalhou exasperadamente seus argumentos pela televisão, em troca:
- O controle continuará nacional. Os grupos são nacionais... De modo que não vai mudar nada.
Ao falar dos adversários, foi além do desdém:
- Pensam que tudo o que está não do Estado está na mão do povo. Não está. Está na mão de quem manda naquelas empresas...
É preciso entender o presidente e sua irritação. Ele está em ``inferno astral'', como explicava ontem, astrologicamente, a Globo.

As tragédias nacionais, além de audiência, dão dinheiro vivo à televisão. A CNT tem a seguinte locução:
- Crimes hediondos. Cidadania massacrada. A violência gratuita e impune. O que deixa você mais indignado: O assassinato do índio pataxó ou a criminosa violência policial em Diadema?
``Você'' escolhe um número de telefone e ``vota'', podendo ganhar um carro zero.
Em letras pequenas: ``custo da ligação, R$ 3,00''.

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