São Paulo, quinta-feira, 12 de julho de 2007

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

Arcebispo de Aparecida é o novo presidente do Celam

Dom Raymundo irá comandar o órgão mais importante da igreja na América Latina

Religioso brasileiro afirma que sua missão é conter o avanço dos evangélicos na região e lutar contra os grupos favoráveis ao aborto

MAURÍCIO SIMIONATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS

Após quase 28 anos, um bispo brasileiro foi eleito para o cargo mais importante da Igreja Católica na América Latina. D. Raymundo Damasceno Assis, 70, arcebispo de Aparecida, foi escolhido anteontem o novo presidente do Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano e do Caribe), em Havana.
De perfil moderado, o arcebispo disse ontem que um de seus principais desafios será a de implantar, nos próximos quatro anos, as metas definidas na 5 Conferência do Celam, realizada em maio passado, em Aparecida (SP), na presença do papa Bento 16. No documento final da 5 Conferência, os bispos estipularam como metas da igreja, por exemplo, a educação evangelizadora centrada na defesa da vida e no compromisso com "os mais pobres".
Entre algumas das missões do presidente do Celam, segundo dom Raymundo, estão fortalecer a Igreja Católica na América Latina, conter o avanço dos evangélicos e lutar contra as correntes a favor do aborto.
"O plano de trabalho é implementar as conclusões aprovadas pelos bispos na Conferência de Aparecida. Temos de traduzir esse plano em projetos", disse à Folha dom Raymundo, que vai ao Vaticano em breve para se reunir com o papa.
Dom Raymundo substitui na presidência do conselho o cardeal chileno Francisco Errázuriz, arcebispo de Santiago.
A eleição aconteceu na 31 Assembléia Ordinária do Celam na capital cubana. Participaram da votação mais de 50 bispos latino-americanos. O principal adversário de d. Raymundo foi d. Carlos Aguiar Retes, bispo de Texcoco, México.
O arcebispo de Mérida, Venezuela, d. Baltazar Cardozo, foi eleito o primeiro vice-presidente do Celam. Como segundo vice-presidente, foi escolhido d. Andrés Stanovnik, bispo de Reconquista, na Argentina.
O último brasileiro a presidir o Celam foi o ex-arcebispo de Fortaleza e arcebispo emérito de Aparecida, d. Aloísio Lorscheider, 82, eleito em 1979.
"A importância do cargo está no fato de o Brasil ser o maior país da América Latina e o que tem maior número de católicos do mundo", disse d. Raymundo. Nascido em 15 de fevereiro de 1937 em Capela Nova (MG), dom Raymundo não quis comentar ontem o documento do Vaticano que reafirma o dogma de que a Igreja Católica é a verdadeira e única igreja de Cristo. "Já pedi que me passassem esse documento, mas não o tenho em mãos e não o li. Portanto, prefiro não comentá-lo", disse.


Texto Anterior: Parlamentares aprovam a LDO e entram em férias
Próximo Texto: Perfil: Religioso foi número 2 da CNBB por oito anos
Índice



Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.