São Paulo, quinta-feira, 15 de junho de 2000


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IMPRENSA
Circulação diária média dos jornais brasileiros passou de 4.276.000 exemplares em 90 para 7.245.000 em 99
Jornais do país crescem 69% nos anos 90

CRISTINA GRILLO
DA SUCURSAL DO RIO

Entre 1990 e 1999, a circulação média dos jornais diários brasileiros cresceu 69,43% e nos últimos quatro anos o crescimento das vendas vem sendo ininterrupto.
Em 1999, a circulação diária média dos jornais brasileiros foi de 7.245.000 exemplares. Em 1990, a média diária era de 4.276.000 exemplares. De 90 a 99, a média de crescimento anual foi de 7%.
Uma mostra da força do mercado brasileiro é o fato de, nos últimos 12 meses, cinco novos títulos terem sido lançados, todos com tiragem diária superior a 100 mil exemplares. Quatro novos títulos, também com tiragem acima dos 100 mil exemplares/dia, devem ser lançados nos próximos meses.
Os dados foram apresentados ontem pelo vice-presidente da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Francisco Mesquita Neto, diretor-superintendente do grupo O Estado de S.Paulo, durante a palestra "Os Jornais do Brasil -Um Panorama Promissor".
Na palestra, no último dia do 53º Congresso Mundial de Jornais e do 7º Fórum Mundial de Editores, Mesquita Neto apresentou também para executivos e editores dos principais grupos jornalísticos mundiais informações sobre a participação dos jornais no mercado publicitário brasileiro. Ano passado, esse mercado movimentou US$ 4,4 bilhões, o que o coloca em sexto lugar no mundo.
De 1990 a 1998, o investimento em publicidade no país, medido em dólar, cresceu 251,6%. Por conta da desvalorização da moeda em 1999, houve um declínio de 33,14% entre 1998 e 1999.
Entre 1998 e 1999, a fatia dos jornais no total de recursos do mercado publicitário subiu de 22,5% para 23,8%. Apesar da melhora, o índice ainda é inferior ao melhor percentual atingido na década (26,28%, obtido em 1993).
Em 1998, houve uma queda na participação dos jornais no mercado publicitário, em comparação aos 23,42% atingidos em 1997, causada por dois fatores: a Copa do Mundo e as eleições.
"São eventos que costumam despertar atenção especial dos anunciantes pela televisão", disse.
Outro dado promissor foi o fato de que empresas jornalísticas de São Paulo, Rio, Porto Alegre, Curitiba, Manaus e Vitória estarem solicitando aumento de suas cotas de papel para garantir um suprimento extra até 2001.
No final dos anos 80, a indústria jornalística brasileira consumia 360 mil toneladas de papel por ano. Em 1995, o total chegou a 701 mil toneladas. Em 1999, o consumo final foi de 590 mil toneladas (60% desse papel é importado).
De acordo com Mesquita Neto, a redução no volume de papel pode ser atribuída a medidas racionalizadoras de gastos, como por exemplo a redução na largura dos jornais efetuada ano passado: "Ainda temos muito a crescer".
Os investimentos em tecnologia cresceram entre 1995 e 2000 e têm ficado entre 2% e 3% do faturamento bruto das empresas. Só na compra de rotativas, disse Mesquita Neto, foram gastos cerca de US$ 600 milhões. Nesse período, foram instalados 50 novos parques gráficos no país. Do total de jornais brasileiros (2.245, dos quais 465 são diários), 192 já têm homepages na Internet.


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