São Paulo, quarta-feira, 15 de setembro de 2004

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Jobim atribui tentativa de controle à falta de objetividade da imprensa

DA REPORTAGEM LOCAL

O debate sobre os limites que deveriam ser impostos à imprensa e a escalada de medidas que podem limitar a atuação de jornalistas se acirram em períodos no qual os meios de comunicação tornam-se menos objetivos. A avaliação é do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Nelson Jobim, que participou ontem do 5 Congresso Brasileiro de Jornais.
Segundo o argumento de Jobim, quanto menos objetivo o trabalho dos jornalistas, maior a reação da sociedade para tentar criar mecanismos para reprimi-lo. "Movimentos de repressão tem um relação de causa com o grau de objetividade", disse o ministro.
O jornalista e ombudsman da Folha, Marcelo Beraba, que mediava o debate do qual Jobim participava, discorda do presidente do Supremo. O argumento do jornalista é que as tentativas para reprimir ou controlar o trabalho da imprensa e dos jornalistas aumentam justamente quando trabalhos bem documentados e fundamentados incomodam setores da sociedade, "principalmente a classe política".
"O movimento de repressão acontece quando aumenta o papel de denúncia, não ocorre quando a imprensa é leviana", argumentou Beraba.
Ambos, no entanto, concordaram que as discussões a respeito da legislação a que a imprensa está sujeita tende a vir à tona em momentos muito "emocionalizados". Tanto Jobim quanto Beraba afirmaram que os meios de comunicação e os jornalistas deveriam debater de forma mais sistemática o papel e os limites da atuação da imprensa.
Eles participaram de debate no qual estavam também presentes Alexandre Moares, secretário de Justiça do Estado de São Paulo, e o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo Pinho.


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