São Paulo, domingo, 18 de junho de 2006

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ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA

Alckmin é vaiado em festa e questiona caráter do presidente

Na sexta, candidato tucano insinuou que Lula seria "chefe de uma quadrilha de 40 ladrões" e disse que vaia "é normal"

Ontem, em Rio Grande (RS), o presidenciável se reuniu com políticos locais e disse que a seleção vencerá a Austrália, hoje, por 3 a 1

MAURíCIO SIMIONATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM AMERICANA

O candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, foi vaiado na noite de sexta-feira durante discurso na 20 Festa do Peão de Americana (128 km à noroeste da capital). Depois, em entrevista, questionou o caráter do presidente Lula e insinuou que ele seria o "chefe de uma quadrilha de 40 ladrões". "Sobre caráter, eu acho difícil que o presidente Lula possa discorrer sobre esse tema. Porque o procurador da República disse que, entre ministros, assessores diretos e nos altos escalões, havia uma quadrilha de 40 ladrões, e a população pergunta quem é o chefe dessa quadrilha. É isso que ele precisa responder", disse. Alckmin reagiu às declarações de Lula em Olinda (PE), anteontem. O presidente havia dito ter caráter ao responder aos ataques da oposição, a quem atribuiu um "jogo rasteiro" contra seu governo. Com relação às vaias, Alckmin disse que "isso é normal". "Aliás é um recado. Nunca atrase festa". No dia 16 de fevereiro deste ano, quando inaugurou a segunda etapa de obras da USP Leste, enfrentou um protesto de um grupo de 15 estudantes, que pediam mais verbas para a educação. Na ocasião, o tucano foi vaiado insistentemente. Alckmin chegou à festa do peão, em Americana, por volta das 21h. Conversou com os organizadores e, por eles, foi levado à arena (que comporta cerca de 5.000 pessoas), acompanhado de políticos locais. Após as lideranças locais discursarem, foi a vez do candidato tucano falar. Nesse momento, começaram as vaias generalizadas. Alckmin discursou por cerca de um minuto, falando sobre a importância do evento, que, segundo a organização, reuniu cerca de 30 mil pessoas. Depois, passeou pela festa, cumprimentou pessoas e tirou dezenas de fotos. O candidato disse ainda que as eleições serão decididas em dois turnos e que conquistar votos no Nordeste é o grande desafio dele para chegar ao segundo turno. "Essa é uma eleição em dois turnos e nós temos que trabalhar para ir para o segundo", disse Alckmin. O tucano ainda respondeu ao presidente Lula que não há ódio na oposição. " Não há nenhum ódio. É estranho que o PT, que criticava tanto não goste de ser criticado. Você ficar bravo com a notícia é não ter aprendido com a crise." Ontem, Alckmin disse, ao desembarcar em Rio Grande (322 km de Porto Alegre), que o presidente Lula "trouxe desesperança para o Brasil por causa de sua política de omissão". Depois foi à Câmara Municipal da cidade acompanhado de políticos locais e de Yeda Crusius, que deve ser a candidata tucana ao governo do Estado. Antes de seguir rumo a Pelotas, Alckmin falou de futebol. Disse que a seleção vencerá hoje a Austrália por 3 a 1. Em Pelotas (263 km ao sul de Porto Alegre), ele fez mais críticas ao presidente. "Lula está abusadíssimo no uso da máquina pública. Faz uma campanha descarada, descerrando placas [de obras] que não existem."


Com ÁLVARO GUIMARÃES colaboração para a Agência Folha, em Rio Grande e Pelotas (RS)

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