São Paulo, quarta-feira, 18 de setembro de 2002

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INTEGRAÇÃO

Em consulta popular, 96% querem fim de negociações com os EUA

Plebiscito contabiliza cerca de 10 milhões contra a Alca

LUIZA DAMÉ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Quase 100% das 10,1 milhões de pessoas que votaram no plebiscito nacional da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) condenaram a participação do Brasil no bloco econômico liderado pelos EUA. A grande maioria quer que o governo, inclusive, abandone as negociações da Alca.
O resultado foi divulgado ontem pelos organizadores do plebiscito -CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), sindicatos de trabalhadores, entidades do movimento social e de estudantes, MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e partidos políticos. Eles querem convencer o Congresso a aprovar a realização de consulta popular ou oficializar o plebiscito.
Num ato de cerca de 400 manifestantes, os organizadores usaram as palavras "neocolonialismo", "recolonização" e "imperialismo" para condenar a adesão.
O plebiscito foi realizado entre os dias 1 e 7 deste mês em 3.894 municípios. Participaram da votação 10.149.542 pessoas -o equivalente a 8,8% do eleitorado brasileiro e a 5,9% da população.
"O importante é que milhares de brasileiros tomaram conhecimento da Alca, que as elites tentavam esconder", disse o líder dos sem-terra João Pedro Stedile, da organização do plebiscito.
Desse total, segundo os organizadores, 98,33% disseram que o governo não deve assinar o acordo da Alca e 95,94%, que o país não deve mais nem participar das negociações do bloco econômico. Os votantes também se manifestaram contra o acordo dos governos de Brasil e EUA que permite o uso da Base de Alcântara (MA) por militares norte-americanos. 98,59% são contra o acordo.
Embora ainda faltem ser apuradas algumas urnas, o resultado foi entregue ao primeiro-secretário da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE). "Estou solidário com o movimento", disse o deputado.

Protocolo
Uma cópia do resultado e do manifesto -que prega a soberania nacional- foi protocolada no Senado, porque o presidente da Casa, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), não recebeu os organizadores do plebiscito.
À tarde, estiveram no Planalto, mas o encontro que teriam com o ministro Euclides Scalco (Secretaria Geral) foi cancelado. O presidenciável José Maria de Almeida (PSTU) disse que o Fernando Henrique Cardoso desrespeita as entidades que representam o povo. "Esta é uma comissão representando 10 milhões de pessoas. Se fosse um funcionário do FMI de quinto escalão estariam aqui o presidente e todo seu staff."
O subsecretário-geral José Reinaldo pediu desculpas. A assessoria de imprensa da Presidência não se manifestou sobre o caso.


Colaborou LEILA SUWWAN, da Sucursal de Brasília


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