São Paulo, quarta-feira, 18 de setembro de 2002

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PIAUÍ

Aliança entre ex-desafetos também ajuda Wellington Dias, que está tecnicamente empatado com Hugo Napoleão em levantamento

Mão Santa ajuda PT a crescer nas pesquisas

FÁBIO GUIBU
DA AGÊNCIA FOLHA, EM TERESINA

ALESSANDRA KORMANN
DA AGÊNCIA FOLHA

A aliança informal com o ex-governador do Piauí Francisco de Assis de Moraes Souza (PMDB), o Mão Santa, e a inesperada troca de apoios entre dois ex-desafetos, o prefeito de Teresina, Firmino Filho (PSDB), e o governador e candidato à reeleição, Hugo Napoleão (PFL), levaram o PT a liderar pela primeira vez as pesquisas para o governo do Estado.
Levantamento divulgado segunda-feira pelo Ibope mostra a ascensão do petista Wellington Dias, que subiu seis pontos percentuais em menos de um mês.
Com 45% das intenções de voto, Dias empatou tecnicamente com Napoleão, que oscilou negativamente, de 45% para 43%, em relação ao levantamento anterior.
O resultado acirrou a campanha e fez com que a Justiça solicitasse ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Piauí a presença de forças federais em 14 cidades do Estado. No TRE, 298 processos já foram movidos pelos partidos, a maioria pedindo direito de resposta.
Pivô da efervescência eleitoral que tomou conta do Estado, a candidatura de Dias, que é deputado federal, surgiu com a ausência de nomes na oposição, particularmente na então aliança existente entre o PMDB e o PSDB.
"Sem o PMDB, o PT não iria nem na esquina", disse ontem o governador do Piauí.
Mão Santa, cassado em novembro do ano passado por abuso do poder econômico na eleição de 1998, defendia a candidatura do prefeito Firmino Filho, que recusou o convite e se aliou ao PFL.
Já o grupo controlado pelo senador Alberto Silva, descontente com o tratamento recebido no segundo governo de Mão Santa, também aliou-se a Napoleão.
O PT, que em 98 havia se coligado ao PSDB para apoiar a candidatura a governador do engenheiro Francisco Gerardo, percebeu o vácuo na oposição e trocou o candidato aprovado nas prévias, o professor Roberto Jonh.
"Era um nome de pouca densidade política, apenas para marcar posição", disse o cientista político da UFPI (Universidade Federal do Piauí) Washington Luis de Sousa Bonfim, 32. "Wellington, que tem muito mais presença, surgiu na ausência do PSDB e no esfacelamento do PMDB, que não foi capaz de mobilizar sua própria candidatura", disse Bonfim.
Sem outra opção, o PMDB aliou-se informalmente ao PT. "O apoio de Mão Santa tem sido fundamental no interior do Estado, onde o candidato do PT não tem grande força eleitoral", afirmou o cientista político da universidade.
O petista, disse ele, ainda foi favorecido pela dissidência aberta no PSDB. Tucanos descontentes com a aliança do prefeito de Teresina com o governador decidiram apoiar Dias abertamente.
"Foi uma coligação criminosa", disse o ex-superintendente da Polícia Federal do Piauí e candidato a deputado federal, Robert Rios (PSDB). O delegado tucano usa uma estrela vermelha com o número 13 na sua campanha.
Uma eventual vitória do PT, entretanto, não significará a implantação imediata de um modelo político novo no Estado, ainda segundo o cientista político.
"Se vencer, Wellington terá uma tarefa difícil, de coordenar os interesses e acomodar as forças tradicionais do Estado em seu governo", declarou. A aliança petista, prevê, deverá eleger apenas 3 dos 30 deputados estaduais do Piauí. "Se for eleito, o PT vai governar em situação de inferioridade na Assembléia."


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