Campinas, Domingo, 23 de maio de 1999

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DIREITOS HUMANOS
Substituto na Vara da Infância e da Juventude de Jundiaí revê processos e prepara reintegração
Justiça revê dez adoções em Jundiaí

Frâncio Hollanda/Folha Imagem
Égon Santana com sua família, depois de três anos fora, na cozinha da casa de seus avós em Jundiaí


MAURÍCIO SIMIONATO
da Folha Campinas

Pelo menos dez crianças de Jundiaí (36 km de Campinas) devem ser devolvidas para as suas famílias dentro de três meses, depois de passarem até dois anos fora de casa esperando adoção por famílias estrangeiras.
O novo juiz da Vara da Infância e da Juventude de Jundiaí e titular da 3 Vara Criminal, Alberto Anderson Filho, disse que todos os processos estão sendo revistos.
As crianças, que hoje estão em instituições assistenciais na cidade, foram retiradas de suas famílias pelo juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, que ocupava o cargo em Jundiaí e é investigado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Judiciário, suspeito de retirar ilegalmente o pátrio poder de famílias para facilitar adoções internacionais.
Segundo o juiz, que é diretor do Fórum de Jundiaí, outras três crianças que estavam nas entidades já voltaram a viver com familiares. "Em um dos casos, o processo de adoção estava pronto para ser enviado para o Tribunal de Justiça logo que assumi, mas, depois de um estudo social, descobrimos familiares que aceitaram ficar com a criança", disse.
Ele não informou o nome da criança. Outros dois casos são de Égon, 9, e Thales, 2.
Égon passou três anos em uma casa transitória em Jundiaí (leia texto nesta página).
Anderson Filho assumiu a Vara da Infância e da Juventude em fevereiro. Todos os funcionários que atuavam no cartório foram substituídos por funcionários da 1 Vara Criminal.
Os ex-funcionários do cartório continuam atuando na 2 Vara Civil, onde Ferreira era titular. Não foi aberta sindicância. Ele preferiu não comentar os procedimentos de Ferreira.



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