São Paulo, domingo, 05 de dezembro de 2010

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice | Comunicar Erros

Turismo "terceiriza" emissões de carbono dos ricos

DO ENVIADO A CANCÚN

O setor de turismo é responsável por cerca de 5% das emissões de gases de efeito estufa do planeta. A maior parte disso vem dos combustíveis queimados nas viagens de avião e navio, os chamados "bunker fuels".
Eles recebem esse nome por causa dos contêineres em portos e aeroportos onde muitas vezes são armazenados, os quais são comparados a um bunker militar.
Uma das discussões na mesa em Cancún é como cortar as emissões dos "bunker fuels", que triplicarão em 2050 se nada for feito.

TAXA DO BILHETE
Um relatório divulgado há algumas semanas por um painel convocado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apresentou uma sugestão de como fazê-lo: criando uma taxa sobre o preço do bilhete.
Além de conter as emissões de poluentes, o instrumento poderia levantar US$ 24 bilhões por ano, dos US$ 100 bilhões anuais que foram prometidos pelos países ricos a partir de 2020 para financiar o combate à mudança climática nos países em desenvolvimento.
Como tudo o mais em negociação na COP-16, o assunto é complexo.
Mesmo que as companhias de aviação e o setor de transportes marítimos aceite uma taxa por passagem -que será, claro, repassada aos consumidores-, há uma questão de desigualdade entre países ricos e em desenvolvimento que precisa ser resolvida nesse ponto.
Em diplomatês, isso se chama "incidência": os pobres, afinal, não causaram o problema da mudança climática e têm o direito de viajar de avião sem serem penalizados por isso.

EM CASA
A questão fica mais complicada ainda quando se analisa casos como o do México, anfitrião da COP-16.
O país tem no turismo sua terceira maior fonte de renda (depois das remessas de mexicanos vivendo nos EUA e do petróleo do Golfo).
Com 65% de seus investimentos no setor feitos por empresas estrangeiras, a maioria americanas e europeias, lugares como Cancún são, na verdade, "terceirizadores" de emissões de turistas do mundo desenvolvido.
"Cancún é como as maquiadoras da China", diz Alejandra Serrano, do Centro Mexicano de Direito ambiental, em alusão às fábricas chinesas que produzem (e poluem) para os países ricos. (CA)


Texto Anterior: Frases
Próximo Texto: Marcelo Gleiser: O discurso do Universo
Índice | Comunicar Erros



Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.