São Paulo, quarta-feira, 17 de maio de 2006

Texto Anterior | Índice

COISA DE PELE

Corpo de mulher de 30 anos foi descoberto em templo da cultura mochica, do norte do Peru

Arqueólogos acham múmia tatuada

Ira Block/National Geographic
O médico peruano Hector Calvo (2 da esquerda para a direita) e o antropólogo americano John Verano examinam a múmia


DA REDAÇÃO

Um grupo de pesquisadores americanos e peruanos encontrou uma múmia tatuada em um antigo centro cerimonial do norte do Peru. A descoberta pode fornecer informações preciosas sobre a civilização mochica, o primeiro Estado sul-americano, antecessor dos incas.
A múmia pertence a uma mulher que deveria ter 30 anos quando morreu, e é a mais bem preservada daquela cultura -hoje só há registro de um punhado de múmias mochicas.
Ela foi descoberta pela equipe do antropólogo físico John Verano, da Universidade Tulane (EUA), na huaca (templo) Cao Viejo, no complexo arqueológico de El Brujo (60 km ao norte de Trujillo no norte do Peru).
A mulher foi enterrada com diversos itens cerimoniais e os restos de uma adolescente sacrificada na mesma ocasião -era comum entre os mochicas sacrificar servos quando alguém importante morria. Pela primeira vez num enterramento feminino daquela cultura, armas acompanham o cadáver. Até onde se sabe, o privilégio era de homens.
"Geralmente as mulheres são retratadas como sacerdotisas na arte mochica", disse Verano à Folha. "Não dá para saber se [a nova múmia] era de uma guerreira ou se recebeu isso [as armas] de seu séquito. É interessante notar que o corpo também está acompanhado de objetos tipicamente femininos, como adornos de cabeça e fusos."
Além de sua posição social ser um mistério, a mulher também bagunça a cronologia mochica. A múmia foi datada em 450 d.C., mas a cerâmica encontrada na tumba pertence à chamada fase Moche 1, considerada a mais antiga (o Estado mochica vicejou entre o ano 1 e o ano 700 da Era Cristã). "A seqüência clássica pode não corresponder a todos os sítios", diz Verano.
As tatuagens nos braços representam animais míticos, aranhas e motivos geométricos.
Verano deve voltar a El Brujo neste ano, em busca de evidência de sacrifícios coletivos.


Texto Anterior: Antropologia: Grupo faz "projeto genoma" do neandertal
Índice


Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.