São Paulo, quinta-feira, 28 de junho de 2007

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Egípcios identificam múmia de rainha

Dente solto achado em uma caixa de madeira revela que múmia indigente era de Hatshepsut, que reinou no século 15 a.C.

Soberana morreu aos 50 anos, obesa e com câncer; seu corpo é 1 múmia de monarca identificada no país desde Tutancâmon

France Presse/Discovery Channel
Múmia da rainha Hatshepsut, que morreu com cerca de 50 anos em mau estado de saúde, vítima de obesidade, diabetes e câncer


DA REDAÇÃO

A múmia de uma mulher obesa, que tinha diabetes e morreu de câncer no fígado, foi identificada como sendo a da mais poderosa rainha do antigo Egito. A descoberta, considerada o achado do século no país, foi feita graças a um dente.
Zahi Hawass, chefe do Conselho Superior de Antigüidades do país, anunciou ontem em uma entrevista coletiva ter identificado uma múmia achada em 1903 no Vale dos Reis como a da rainha Hatshepsut, a grande monarca da 18 Dinastia do Egito. Ele descreveu o achado como "o mais importante no Vale dos Reis desde a descoberta de Tutancâmon".
Hatshepsut subiu ao poder em 1479 a.C., após a morte de seu marido e meio-irmão Tutmés 2. Seu enteado (filho do marido com uma concubina), Tutmés 3, era muito jovem para assumir o trono, então a "primeira das mulheres nobres" (significado de seu nome) permaneceu como co-regente durante 22 anos.
Durante esse tempo, Hatshepsut se mostrou uma governante voluntariosa e ambiciosa, uma das maiores tocadoras de obras do Novo Império e a monarca que mais fez para que o Egito se tornasse o país rico que se tornaria depois, no reinado de Tutancâmon.
Quando morreu, com cerca de 50 anos, ela deixou um esplêndido templo mortuário -mas sua múmia não estava lá.
Para frustração dos arqueólogos, as múmias reais egípcias freqüentemente eram removidas de suas tumbas originais e escondidas em locais discretos, para driblar saqueadores. Marcas que as identificassem freqüentemente se perdiam nesses transportes.
O britânico Howard Carter, que em 1922 descobriria o túmulo de Tutancâmon, chegou a achar a câmara mortuária de Hatshepsut, mas os dois sarcófagos dentro dela estavam vazios. O paradeiro do corpo da rainha permaneceu um dos maiores mistérios do Egito.
Sua identificação só aconteceu há dois meses, quando a equipe de Hawass realizou uma tomografia em uma caixa de madeira que trazia o nome da rainha. Dentro dela havia um fígado humano e um dente.
O dente foi examinado pelo dentista Galal El-Beheri, da Universidade do Cairo, a pedido de Hawass. Ele descobriu que a peça se encaixava perfeitamente na raiz quebrada de um dente da múmia de uma mulher obesa, encontrada por Carter em 1903 numa tumba pequena e sem decoração no Vale dos Reis, a KV60.
A tumba continha duas múmias: uma num caixão com a inscrição "ama real" e outra sem identificação alguma.
Em uma visita recente à KV60, Hawass examinou a múmia obesa. Seu braço esquerdo estava dobrado com a mão sobre o ombro. As unhas da mão esquerda estavam pintadas de vermelho, com contorno preto. Alguns egiptólogos, no passado, chegaram a suspeitar que a múmia obesa poderia ser de Hatshepsut. Mas havia nada menos que cinco múmias também suspeitas.
A prova veio depois que o Discovery Channel instou Hawass a usar tecnologia médica moderna na identificação da múmia -o que ele achava que não daria resultado- e bancou a instalação de um laboratório no Museu Egípcio, no Cairo.
As seis múmias passaram por tomografias, bem como a caixa com o nome da rainha, encontrada em uma outra tumba.
"A caixa guardava a chave do enigma", disse Hawass. "Agora nós temos a prova científica de que esta é a múmia da rainha Hatshepsut", afirmou, citando principalmente o dente mas também análises preliminares de DNA que ligam a mulher obesa a Ahmés Nefertari, a matriarca da 18 Dinastia.
Egiptólogos que não trabalharam no projeto dizem que a evidência é fascinante, mas que ainda é cedo para afirmações tão contundentes.


Com "Independent" e "New York Times"


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