São Paulo, quarta, 3 de junho de 1998

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JUSTIÇA
Motoboy e PMs são condenados a penas entre 43 e 45 anos de prisão pelo sequestro e morte de garoto de 8 anos
Juiz condena 3 pela morte de Ives Ota

ANDRÉ LOZANO
da Reportagem Local

O juiz da 17 Vara Criminal de São Paulo, José Luiz de Carvalho, condenou ontem o motoboy e os dois PMs acusados de envolvimento no sequestro e na morte do garoto Ives Ota, 8, no dia 29 de agosto de 1997, a penas entre 43 e 45 anos de prisão. Ontem, Ives completaria 9 anos.
Ives Ota foi sequestrado em sua casa, na Vila Carrão (zona sudeste de São Paulo). Segundo a sentença da Justiça, o motoboy Adelino Donizete Esteves, inicialmente identificado como Silvio da Costa Batista, teria tocado a campainha da casa e dito que tinha uma encomenda e flores para entregar.
A moça que cuidava das crianças abriu o portão, e Adelino teria apontado uma arma, anunciando um assalto. O motoboy teria entrado na casa e, como havia mais de uma criança na residência, perguntado quem era o filho de Massataka Ota, comerciante que seria extorquido pelo grupo, mediante o sequestro de Ives.
O juiz Carvalho entendeu que o PM Paulo de Tarso Dantas foi o mentor do sequestro. Dantas trabalhava como segurança em uma das lojas do pai de Ives.
O motoboy, depois de tirar Ives de casa, teria sido protegido por Dantas. Segundo a sentença, os sequestradores pretendiam extorquir US$ 800 mil da família Ota.
Os denunciados teriam decidido matar Ives porque ele teria reconhecido Dantas. Segundo o juiz, o próprio Dantas teria ordenado o motoboy a matar o garoto, para que não pudesse ser reconhecido.
O motoboy teria oferecido ao garoto um copo de leite com chocolate contendo calmante. Entorpecido, o menino adormeceu.
Depois de colocar o menino na cova, cavada em seu quarto, o motoboy teria feito dois disparos contra o rosto de Ives.
O motoboy é o único dos condenados que confessa o crime. Segundo o juiz, o PM Dantas, "homem inteligente e astuto", era o único entre os três réus que conhecia a rotina de Massataka.
De acordo como o juiz, o outro PM, Sérgio Eduardo Pereira de Souza, foi "um seguidor" de Dantas. "Seu apelido, "Mocorongo', ilustra sua personalidade pacata e meio passiva."
Segundo ele, Souza, que trabalhava como segurança com Dantas, teria sido instigado pelo mentor do plano.
Os soldados Paulo de Tarso Dantas e Sergio Eduardo Pereira de Souza foram condenados por sequestro seguido de morte (artigo 159 do Código Penal). Por a vítima ter menos de 14 anos, a pena foi acrescida da metade.
Eles ainda foram condenados por ocultação de cadáver. Ao todo, cada um foi condenado a 43 anos e dois meses de prisão.
O motoboy Adelino Donizete Esteves, além do sequestro e ocultação de cadáver, foi condenado por falsidade ideológica e falsa identidade. A ele foi imposta uma pena de 45 anos e seis meses, mas a Constituição diz que ninguém pode ficar preso por mais de 30 anos.



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