São Paulo, terça-feira, 05 de fevereiro de 2008

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Tijuca e Imperatriz levam suas coleções à Sapucaí

Mania de colecionar e conjunto de Marias nobres dão leveza ao 2º dia de desfiles

Pelas mãos da Imperatriz, d. João inspira o melhor samba deste ano; Mocidade recebe aplausos do público, mas não chega a convencer

LUIZ FERNANDO VIANNA
PEDRO SOARES

DA SUCURSAL DO RIO

A chuva parou para a leveza de Unidos da Tijuca e Imperatriz Leopoldinense passar no sambódromo carioca, ontem, na segunda noite de desfiles. A primeira se apoiou em seu enredo relativamente simples, sobre coleções, e a segunda numa boa idéia e no melhor samba deste ano.
A Vila Isabel iniciou o desfile grandiosa. Com o enredo "Trabalhadores do Brasil", que teve o apoio da CUT, a escola contou com Natália Guimarães, Miss Brasil 2007 como madrinha da bateria. A mineira não escondeu o desconforto com a estréia na Sapucaí. Foi acompanhada todo o tempo por uma coreógrafa que lhe dava instruções. "Não sei, vamos ver", disse ao ser questionada sobre como seria o seu desempenho, pouco antes do início do desfile. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, desfilou também.
Não fosse a evolução sempre problemática da Imperatriz -um tanto lenta e pouco empolgada-, poderia estar garantida a volta da escola aos primeiros lugares, depois de dois nonos seguidos. Rosa Magalhães falou de d. João 6, popstar deste Carnaval, dentro de um enredo sobre Marias nobres, incluindo a mãe do monarca português e sua nora, a imperatriz que dá nome à agremiação.
A maioria das alas e alegorias estava leve, sem o peso e o luxo que marcou a escola nos seus anos de vitórias (cinco entre 1994 e 2001). O belo samba funcionou e ainda houve o apelo da volta de Luiza Brunet ao posto de rainha da bateria, após dois anos afastada.
"Foi um Carnaval maravilhoso e estamos com sorte porque não choveu. Eu disse que queria voltar e voltei; estou aqui", afirmou Brunet.
A Unidos da Tijuca encantou com um enredo desenvolvido de modo didático. Nas alas, coleções de toda sorte: pinguins, bonecas, gibis, moedas, entre outros. A mais irreverente era a sobre ursos de pelúcia, formada por gordinhos com uma fantasia que deixava a barriga à mostra. Detalhe: foram recrutados pela escola num grupo gay de "ursos", homossexuais gordinhos e peludos.
"Mais de 90% dos 120 integrantes são gays e 70% da ala tem mais de 100 kg", contou Beto Toste, presidente da ala e coordenador do grupo gay Ursos do Rio. Com 127 kg, o empresário Mauro Saldanha, 50, desfilou ao lado do namorado Anderson Silva, 35, um dos únicos magros da ala. "Vim pois gosto de ursos gordinhos."
Todas as alegorias apresentaram coreografias, evocando o estilo de Paulo Barros, ex-carnavalesco da escola.

Mais d. João
No desfile que abriu a noite, a Mocidade Independente foi mais uma a levar para a avenida d. João 6 e sua mãe, d. Maria, a Louca. Os dois foram representados na comissão de frente em um passeio pelo Rio de 200 anos atrás, quando aportaram na cidade. Coreografada por Fábio de Mello, a comissão foi aplaudida pelo público.
A Mocidade não fez uma apresentação exuberante, mas mostrou uma alegria que estava perdida nos últimos anos. O refrão fácil contribuiu.
O carnavalesco Cid Carvalho deu um pequeno drible na Prefeitura do Rio para receber os R$ 2 milhões oferecidos a quem falasse da chegada da família real. Seu enredo abordou muito mais a história e os mitos em torno de d. Sebastião do que a vida de d. João 6.
Carvalho desenvolveu o tema em mais da metade do desfile, reservando apenas dois setores para a presença da família real no Rio.
Também desfilariam Acadêmicos da Grande Rio e Beija-Flor.


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