São Paulo, terça-feira, 05 de fevereiro de 2008

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Chuvas já deixaram 1.850 desabrigados no RJ

Além dos 9 mortos na região serrana, houve 1 vítima no centro do Rio e 2 em MG, totalizando ao menos 12; 1 pessoa está desaparecida

Defesa Civil prevê mais mortes se chuva intensa persistir na região de Petrópolis; previsão é de mais tempestades hoje

MALU TOLEDO
ENVIADA ESPECIAL A ITAIPAVA (RJ)

SERGIO TORRES
DA SUCURSAL DO RIO

Pelo menos 370 famílias (1.850 pessoas) já tiveram que deixar suas casas por causa dos temporais que atingem a região de Petrópolis (cidade a 60 km do Rio) desde o fim de semana. Anteontem, nove pessoas morreram em desmoronamentos. Com mais um morte no centro do Rio e outras duas ontem em Minas Gerais (veja textos abaixo), são ao menos 12 as vítimas das chuvas neste Carnaval. Uma pessoa está desaparecida.
Se a chuva continuar intensa nos próximos dias na região serrana do Rio, novas mortes ocorrerão, previu o coronel Djalma Souza Filho, comandante da Defesa Civil do Estado. Ele vistoriou a área de Itaipava (distrito de Petrópolis), onde as mortes ocorreram. Disse ter se impressionado com a devastação, que creditou à ocupação urbana desordenada.
Como as tempestades persistirão pelo menos até hoje, e possivelmente amanhã também, conforme previsão do Instituto de Meteorologia, o risco de mais mortes é concreto, na avaliação do coronel.
"Enquanto perdurar a chuva, a região serrana fluminense, como um todo, é vulnerável. Ali, por causa do desmatamento nas encostas e a construção de casas de má qualidade, qualquer chuva prolongada preocupa", afirmou ele, por telefone.
Para Souza Filho, nas três maiores cidades da região serrana -Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo- o risco de outra tragédia é mais presente. Nelas, as encostas estão tomadas por favelas e bairros habitados por famílias de baixa renda.
A Defesa Civil contabilizava até ontem 1.500 pessoas, de 300 famílias, desalojadas na região de Itaipava. Elas tiveram as casas destruídas por barreiras ou alagadas pelo rio Santo Antônio, que acompanha o traçado da BR-495 entre Itaipava e a vizinha Teresópolis. Com os temporais, o rio transbordou.
A Defesa Civil lista também 70 famílias (cerca de 350 pessoas) desabrigadas, colocadas pela Prefeitura de Petrópolis em uma creche e uma escola. A Defesa Civil diferencia o desalojado e o desabrigado. Este, para não ficar ao relento, tem que ser amparado pelo poder público. Desalojados são aqueles que conseguiram abrigo provisório em casas de parentes ou em hotéis.
A prefeitura declarou situação de emergência no município, ainda na noite de anteontem, e liberou uma verba emergencial de R$ 500 mil para o socorro a vítimas e a recuperação das áreas destruídas. Há 200 pessoas, entre funcionários da Defesa Civil, bombeiros e voluntários, trabalhando onde houve as mortes.
A Cruz Vermelha começou a recolher donativos para as vítimas. Mais informações pelo telefone 0/XX/21/2508-6931.

Estradas
A Prefeitura de Petrópolis informou que na estrada que liga Itaipava a de Teresópolis houve cerca de cem deslizamentos de terra desde a noite de sábado.
O trecho de cerca de 60 km da BR-495 está interditado, sem previsão de reabertura. A enxurrada destruiu uma ponte no km 15. Há locais em que, até ontem, nem os carros da Defesa Civil conseguiram chegar.
Técnicos do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) e da Polícia Rodoviária Federal vistoriaram ontem os trechos mais danificados.
O superintendente do Dnit no Estado do Rio, Rodrigo Costa, previu que as obras de recuperação devem demorar de quatro a seis meses. Ele disse que há 40 pontos em que os deslizamentos são mais perigosos. "Só para limpar tudo vamos levar uns 15 dias."
À tarde, a terra continuava a deslizar no BR-495 e em estradas vicinais de Itaipava. Até os tratores enviados para a desobstrução atolaram na lama.


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