São Paulo, domingo, 06 de junho de 2010 |
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Fotógrafo registra etapas de "nascimento" do metrô
Rogério Canella acompanha construção da linha 4 sob o solo paulistano
CINCO ANOS DE MUDANÇAS Foi em 2005 que o fotógrafo Rogério Canella iniciou o registro das obras da linha 4-amarela do metrô de São Paulo. Ela avança pela zona oeste da cidade, da estação da Luz até a Vila Sônia (por enquanto só foram inauguradas as estações Paulista e Faria Lima). Descendo em fossos de até 30 metros, Canella testemunhou as dificuldades das escavações, como mostra a foto, a primeira de baixo para cima nesta página, do subsolo da rua Fradique Coutinho, na zona oeste paulistana. "Entrei até os joelhos na lama e tive algumas quedas", conta o fotógrafo.
BARULHO E FUMAÇA Canella desceu às escavações em horários autorizados pelos engenheiros. Ele não sentiu cheiros desagradáveis, mas enumera uma série de outras dificuldades. "É quente, tem muita umidade. A lente da câmera embaça, o barulho das britadeiras é alto e tem muita fumaça do óleo diesel queimando nas máquinas." Sua meta: registrar de 120 a 130 imagens para o projeto de um livro. Ele fez 60 incursões nos túneis ("Fotografei a linha de ponta a ponta umas quatro vezes") e conseguiu mostrar a evolução das obras, como a "metamorfose" da Fradique Coutinho nas fotos ao lado.
HORA DO ALMOÇO A imagem ao lado da estação Fradique Coutinho já permite visualizar as plataformas, antes que recebessem os painéis transparentes que marcam o estilo da linha 4-amarela. Canella aproveitou as trocas de turno e os intervalos das refeições para flagrar as obras vazias. "Mas pude perceber como são os operários. Na maioria são sem família, querem sempre fazer hora extra e ficam muito concentrados", conta. "Às vezes o pessoal voltava do almoço antes que eu finalizasse a exposição da foto. Entravam na frente da câmera sem nenhuma cerimônia e eu perdia aquela cena."
POR TRÁS DA CÂMERA Rogério Canella começou a se interessar pelo subsolo em 2003, quando entrou em um túnel desativado junto ao rio Pinheiros, com a ajuda de um amigo praticante de rapel. Na França, em 2005, operários portugueses de uma obra o ajudaram a registrar reformas no metrô de Paris, sem autorização. Em suas incursões na linha 4, usou equipamentos de proteção -exceto óculos, que atrapalhariam seu trabalho. "O que mais me impressionou nesta gigantesca transformação foram a solidão e a aridez dessa paisagem a poucos metros da constante movimentação na superfície." Texto Anterior: Acidente na Bahia com estudantes deixa ao menos 10 mortos Índice |
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