São Paulo, terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

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JUVENTUDE ENCARCERADA

Convite foi anunciado quatro dias após a demissão de 1.751 funcionários

Febem agora quer recontratar e dar aumento a 350 monitores

Robson Ventura/Folha Imagem
Manifestação de funcionários e ex-funcionários contra demissões na Febem; cartaz à direita relaciona secretário a símbolo nazista


VICTOR RAMOS
DA REPORTAGEM LOCAL

Apenas quatro dias após o anúncio da demissão de 1.751 monitores da Febem, o governo Geraldo Alckmin (PSDB-SP) afirmou que 350 deles serão reconvocados ao trabalho -em outra função e com salário maior. Desses, 266 ex-funcionários já foram chamados por telegrama.
Segundo o secretário da Justiça e presidente da Febem, Alexandre de Moraes (PFL), os funcionários voltarão como coordenadores de unidades, cargos comissionados que não dependem de concurso público para preenchimento.
Moraes disse que eles foram selecionados por diretores da Febem nos meses de janeiro e fevereiro, quando a reestruturação foi definida. Segundo o governo, a estrutura estava "viciada".
Os reconvocados, segundo Moraes, estariam de acordo com o perfil que fundação deseja e não teriam histórico de violência contra menores.
Rebeliões, fugas -muitas vezes estimuladas e facilitadas por funcionários- e denúncias de tortura contra os internos transformaram a Febem em um dos principais problemas de Alckmin, cotado no PSDB para a disputa presidencial de 2006.
A volta de agentes demitidos foi criticada pelo sindicato dos funcionários da Febem, que deflagrou ontem uma greve por tempo indeterminado. Segundo os sindicalistas, a greve teve adesão de 80% no Estado. O governo não apresentou balanço.
Segundo o sindicato, alguns servidores voltarão ganhando menos do que recebiam antes das demissões, em razão, por exemplo, das horas-extras. A informação é contestada por Moraes. "O salário de um agente é de R$ 1.200. Os coordenadores comissionados ganham R$ 1.350." A Febem não soube informar quantos dos reconvocados aceitaram retornar.
O TRT-SP concedeu, na tarde de ontem, liminar suspendendo novas demissões de funcionários da Febem até que o dissídio coletivo da categoria seja julgado pelo órgão. O julgamento está marcado para a próxima segunda-feira.

Morte
Ontem morreu o adolescente que foi agredido por outros internos na quinta-feira, na Febem Tatuapé. Segundo a Febem, funcionários demitidos entregaram aos agressores a chave da sala onde o adolescente, ameaçado por outros internos, se encontrava. O sindicato nega que isso tenha ocorrido.
O caso foi registrado no 81 Distrito Policial e um inquérito policial foi aberto. De acordo com a polícia, um segundo adolescente que também foi agredido vai prestar depoimento na sexta-feira. Alguns dos agressores já identificados também deverão comparecer à delegacia.


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