São Paulo, sábado, 24 de setembro de 2011

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Nomeação na USP de filho de ex-reitora é investigada

Ministério Público de SP apura se atual reitor cometeu irregularidades

Há a suspeita de que dois procuradores da universidade tenham sido nomeados sem a experiência exigida

FÁBIO TAKAHASHI

DE SÃO PAULO

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
DE BRASÍLIA

O Ministério Público Estadual de São Paulo abriu investigação para apurar se o reitor da USP, João Grandino Rodas, cometeu irregularidade em nomeações de procuradores da universidade.
Há a suspeita de que dois deles tenham sido nomeados sem que tivessem a experiência exigida. Um é filho da ex-reitora, Suely Vilela.
O outro possui relação pessoal com o reitor há mais de dez anos e foi nomeado chefe dos procuradores.
Ambos foram escolhidos sem concurso público. O salário do cargo é de R$ 5.700.
O inquérito foi aberto no mês passado, após o promotor Valter Foleto Santin receber denúncia anônima.
Para ele, as explicações iniciais dos citados foram insuficientes. Santin investiga se houve "ferimento a princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade" e "improbidade administrativa".
Docentes que acompanham o dia a dia da reitoria disseram à Folha que o reitor visa aumentar sua força política, buscando apoio até de adversários. A ex-reitora, por exemplo, apoiou outro candidato na eleição em 2009.
Quando foram nomeados, no ano passado, as regras da USP exigiam que o procurador tivesse cinco anos de experiência como advogado.
Em ofício enviado à Promotoria, Rodas cita experiências de ambos em atividades jurídicas, mas não na advocacia.
No caso de Carlos Alberto Vilela Sampaio, filho da antecessora do reitor, são apontadas passagens como estagiário do Judiciário (2001) e do Ministério Público (2003). Ele entrou na OAB em 2006.
Já para Gustavo Ferraz de Campos Monaco são citados seu mestrado (2003), doutorado (2008) e a docência na própria USP (desde 2009).
À Promotoria Rodas afirmou que a experiência jurídica era satisfatória e que a exigência de cinco anos de advocacia não existe mais.
A alteração foi feita em dezembro, após as nomeações, pelo reitor, que mudou a organização da área.


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