São Paulo, quinta-feira, 30 de agosto de 2007

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Gasto de ricos é igual a 10 vezes o de pobres

IBGE revela que os 10% mais ricos do país despendem, em média, R$ 1.815 por mês, contra R$ 179 dos 40% mais pobres

Para IBGE, os 10% mais ricos tinham renda mensal familiar superior a R$ 3.876 em 2003; os 40% mais pobres, inferior a R$ 758

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

No Brasil, o gasto médio mensal de alguém que está entre os 10% mais ricos da população corresponde a dez vezes o valor das despesas mensais de outro brasileiro que está entre os 40% mais pobres. Esse novo retrato da desigualdade nacional foi divulgado ontem, no Rio, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Ao trabalhar com dados da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) de 2002 e 2003, que analisa como cada família distribui seus gastos, os técnicos do instituto descobriram que o gasto médio mensal per capita de um brasileiro do "andar de cima" era de R$ 1.815.
No outro extremo, entre os 40% mais pobres da população, esse valor cai para R$ 179.
Para fazer parte dos 10% mais ricos, de acordo com o corte usado pelo instituto, bastaria ter um rendimento mensal familiar superior a R$ 3.876.
Já os que estavam entre os 40% mais pobres tinham, todos, uma renda mensal familiar inferior a R$ 758.
A desigualdade nos gastos familiares é ainda maior na região Nordeste. O Estado com maior distorção entre ricos e pobres é o de Alagoas, onde o gasto médio de alguém que esteja entre os 10% mais ricos (R$ 1.839) equivale a mais de 15 vezes o verificado entre os 40% mais pobres (R$ 118).
Os Estados com menor desigualdade entre os dois grupos são Amapá, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.
De acordo com Edilson Nascimento da Silva, gerente da pesquisa, no caso de Amapá e Roraima, isso acontece porque a população é menor e há uma grande porcentagem de funcionários públicos.
Já no caso de São Paulo e Santa Catarina, a principal explicação é que a renda média dos 40% mais pobres é bastante superior à média nacional, o que faz com que a relação fique menos desigual quando comparada com o resto do país.

São Paulo
Em São Paulo, por exemplo, os 40% mais pobres tinham em 2002 e 2003 despesas mensais no valor de R$ 244, o terceiro maior valor (atrás apenas do Distrito Federal e do Rio Grande do Sul).
Já na comparação somente entre os 10% mais ricos, o gasto médio per capita do paulista (R$ 1.709) é apenas o 12, sendo o Rio de Janeiro o primeiro nessa lista (R$ 2.339).
Nessa análise, no entanto, é preciso considerar que São Paulo é o Estado de maior população do país. Com isso, qualquer recorte apenas entre os 10% mais ricos acaba comparando populações muito distintas em seu tamanho.
Em São Paulo, por exemplo, 10% da população significava, em 2003, um contingente de 3,8 milhões de pessoas. No Rio de Janeiro, esse grupo era de 1,5 milhão. Em Roraima, apenas de 35 mil pessoas.
Edilson Silva destaca também que há uma grande desigualdade entre as regiões.
Um morador do Rio de Janeiro entre os 10% mais ricos tinha despesas médias, em 2002 e 2003, correspondentes a 20 vezes o valor registrado entre os 40% mais pobres do Maranhão, onde o valor médio é de apenas R$ 116.

Outros recortes
Além de comparar o gasto médio entre os mais pobres e os mais ricos, o IBGE pesquisou também diferenciais no consumo por cor ou raça, escolaridade, sexo e idade.
No caso da comparação entre cor, mais uma vez fica clara a desigualdade entre aqueles autodeclarados brancos e os autodeclarados pretos e pardos.
Entre os brancos, o rendimento médio mensal familiar do chefe de família era de R$ 2.283, valor 81% maior do que o verificado entre os de cor preta (R$ 1.264) e 84% superior ao registrado entre os pardos (R$ 1.242).

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