São Paulo, Quarta-feira, 01 de Dezembro de 1999


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PROTESTO
Protesto bloqueia entrada de participantes; polícia reprime
Manifestantes fazem protesto contra o novo "Grande Satã"

Reuters
Polícia tenta controlar protestantes contrários à Conferência da OMC, no centro de Seattle


do enviado a Seattle

Parado sob a chuva que é uma característica quase permanente de Seattle, o diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Michel Camdessus, divertia-se com a manifestação contra a OMC: "Perdi o posto de Grande Satã", ironizava, com razão.
Camdessus, como centenas de outras altas autoridades, não conseguiu furar o cordão humano que as ONGs (Organizações Não-Governamentais, que querem acabar com o novo "Grande Satã") estenderam em torno de todas as ruas que dão acesso tanto ao Teatro Paramount, local da cerimônia de abertura da 3ª Conferência, como ao Centro de Convenções, QG da reunião.
Resultado: a cerimônia inaugural, marcada para 9h (15h em Brasília), foi adiada para 10h30 e depois cancelada (mantendo-se as sessões plenárias), porque o cordão humano não deixava passar ninguém que vestisse paletó e gravata.
O eixo do protesto refletia-se no tosco cartaz levado por um jovem: "OMC - polícia global para as corporações globais".
Mas havia outros tipos de gritos de guerra e de cartazes, a rigor um para cada paladar, desde "liberalizem a liberdade, não o comércio" até "parem o imperialismo agora", passando por "China fora do Tibete".
Pacífica no conjunto, a manifestação escorregou ocasionalmente por cenas de vandalismo e trocas de empurrões entre os delegados que tentavam forçar a passagem e os manifestantes.
Cada vez que havia troca de empurrões, o megafone do grupo "Rede Ação Direta" (anarquista) gritava: "Não queremos tocar o corpo dos delegados, mas suas mentes e seus corações".Quando não havia incidentes nas imediações, a voz gritava contra uma rede de venda de roupa feminina erótica que supostamente importa produtos fabricados na Ásia em condições subumanas.
Das 7h às 10h30, a polícia limitou-se a observar a manifestação, sem dissolver os grupos que impediam a passagem dos delegados ou ajudá-los de alguma forma, nem mesmo Camdessus, do poderoso FMI, que bem-humorado, ironizava:
"É por isso que eu gostava de fazer reuniões na Rússia. Não havia manifestações, mas também não havia reuniões".
Mas às 10h30, a tropa de choque lançou as primeiras bombas de gás lacrimogêneo e começou a desbloquear um dos cruzamentos, o da avenida Union com a 6ª Avenida, a uma quadra do Centro de Convenções. Os manifestantes desfizeram o cordão humano, que passou a ser formado por policiais que, da mesma forma, não deixavam ninguém passar.
David Ellithorpe, oficial da polícia, explicava que a ação policial se devia ao fato de que alguns manifestantes estavam agredindo delegados, quebrando vitrinas, incendiando pneus ou subindo no teto de ônibus.
A delegação colombiana foi cercada por manifestantes, que subiram no teto do carro oficial, obrigando a polícia a intervir. A delegação brasileira, depois de uma frustrada tentativa de chegar ao Teatro Paramount, voltou ao Hotel W, onde se hospeda, e lá ficou esperando. (CR)



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