São Paulo, Quarta-feira, 01 de Dezembro de 1999


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CONJUNTURA
Renda vinha subindo desde 94, com o Plano Real, mas diminuiu em 98 pelo segundo ano seguido
Renda do trabalhador cai 0,9%, diz IBGE

FERNANDA DA ESCÓSSIA
da Sucursal do Rio

A renda média mensal do trabalhador brasileiro caiu 0,9% em 98, em valores reais (descontada a inflação), em relação a 97 e 2% na comparação com 96.
No ano passado, o trabalhador (qualquer um com mais de dez anos de idade, ocupado e com rendimento de trabalho) recebeu por mês, em média, R$ 533 (3,9 salários mínimos).
Os dados são da última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) feita pelo IBGE.
A renda mensal vinha crescendo desde 94, como reflexo do Plano Real, que aumentou os ganhos das classes mais baixas.
Nesses últimos dois anos, porém, a tendência de crescimento sofreu uma interrupção e foi arrastada para baixo por causa das perdas nos ganhos das classes intermediárias.
São elas que mais perdem: a camada de 10% da população com renda média mensal de R$ 545 em 98 perdeu 1,8% de seus ganhos em relação a 97, e os 10% que recebiam em média R$ 853 no ano passado perderam 1,6%.
Para os técnicos do IBGE, a queda no rendimento tem vários motivos, dependendo da faixa da população, mas é difícil apontar um componente nacional do problema.
"A crise de setembro de 98 na Rússia, por exemplo, é um fator. A indústria de transformação perdeu postos de trabalho, e isso também interfere. É cedo para falar em tendência de queda, mas houve uma interrupção do crescimento", afirma Vandeli Guerra, consultora do Departamento de Emprego e Rendimento.
Segundo a consultora, o rendimento se comportou de maneira diferenciada nas várias faixas: cresceu entre empregados, mas diminuiu entre empregadores e trabalhadores por conta própria.
Entre os mais pobres, o rendimento cresceu: os 10% que ganharam em média R$ 56 por mês em 98 viram sua renda subir 7,7% e, com isso, voltaram ao mesmo patamar de 96.
Em todas as faixas da metade mais pobre da população, a renda cresceu em relação a 97.

Renda concentrada
Como a renda do país é concentrada -a metade mais pobre da população ocupada só detém 14% da renda total-, o aumento do rendimento dos mais pobres não garantiu a tendência geral de aumento da renda.
Os 10% mais ricos, em compensação, concentram 46,5% da renda. A concentração de renda no Brasil, embora ainda esteja em padrões considerados ruins, mantém a tendência de queda verificada desde 88.
O índice de Gini -parâmetro internacional para medir a concentração de renda- foi de 0,575 no ano passado. Em 97, o índice foi de 0,580.
O índice de Gini varia de zero -hipótese da perfeita distribuição de renda- até um -hipótese de toda a renda concentrada na mão de uma só pessoa. Acima de 0,5, segundo a consultora Vandeli Guerra, é considerado alto.

Mais ocupados
A população ocupada teve aumento de 632 mil pessoas (0,9%) em relação a 97. É menos da metade do crescimento de 1996 para 97 (2,1%) e quase nada diante do crescimento vegetativo da população em idade ativa (2,1%).
Na agricultura, 433 mil postos de trabalho desapareceram em um ano, com queda de 2,6% em relação a 97.
Na avaliação dos técnicos do IBGE, a queda do emprego na agricultura -que vem ocorrendo desde o início dos anos 90- foi acentuada em 98 por causa da seca no Nordeste.



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