São Paulo, domingo, 02 de maio de 2004

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TRABALHO

Arcebispo fala sobre reajuste do salário mínimo e desemprego no país; presidente diz preparar investimentos para o setor

Lula ouve críticas em missa no 1 de Maio

Antônio Gaudério/Folha Imagem
O presidente Lula e a primeira-dama, Marisa Letícia, na missa do trabalhador realizada ontem em São Bernardo do Campo


JULIA DUAILIBI
DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu ontem, durante a missa do Dia do Trabalho, críticas à política econômica do seu governo. A celebração religiosa aconteceu na Igreja Matriz, em São Bernardo do Campo.
O arcebispo de Santo André, Nelson Westrup, criticou o desemprego no país e o que chamou de "falta de um salário justo", durante o sermão. "Como trabalhar para comer, se não tem emprego?", disse. "O desemprego é sempre um mal e quando atinge determinadas dimensões pode virar uma calamidade social."
O padre Décio Rocco leu uma nota da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que trazia críticas ao reajuste do salário mínimo -de R$ 240 para R$ 260-, promovido pelo governo na semana passada.
"O salário mínimo atende cada vez menos às necessidades do homem. Não podemos continuar com esta situação, que faz do país um péssimo distribuidor de renda", disse Rocco.
"Os recursos públicos não devem ser destinados para o pagamento de juros e da dívida externa. Os credores podem esperar. Os desempregados, não."
No ato religioso, foi apresentada uma encenação contando a história dos 25 anos da paróquia. Na montagem, jovens seguravam placas pedindo, entre outras coisas, mais emprego e melhoria no saneamento básico.
A igreja, com capacidade para 1.500 pessoas, estava lotada. Lula disse que "a Igreja vem cumprindo o seu papel de discutir, de aprender, de orientar". "Nunca acabaremos com 100% dos desempregados no país, mas teremos mais gente trabalhando do que temos hoje. Estamos preparando todos os investimentos possíveis em áreas que possam gerar emprego." Ele disse ter saudades do seu tempo de sindicalista, quando havia oferta de vagas na porta das fábricas.
O desemprego atingiu 12,8% da população economicamente ativa das seis maiores regiões metropolitanas do Brasil em março, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A missa do Dia do Trabalho é realizada desde 1980 na Igreja Matriz de São Bernardo do Campo. Ela nasceu como um protesto à prisão de Lula e dirigentes sindicais devido às greves no ABC.

Com a Folha Online

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