São Paulo, quarta-feira, 03 de outubro de 2007

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BC poderá continuar a cortar juros, diz Bernardo

Ministro afirma que o governo não vê nada de "alarmante" na economia

Declarações destoam de relatório de inflação do BC, que aponta descompasso entre investimentos e a alta da demanda por bens

SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O governo não está vendo nada de "alarmante" na economia que coloque em risco o controle da inflação. Portanto, a permanecer o cenário atual, o Banco Central poderá continuar reduzindo a taxa de juros.
A avaliação é do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), que, ao contrário dos diretores do BC, não acredita haver um descompasso entre o crescimento da procura por bens e serviços e o aumento dos investimentos produtivos para atender a essa demanda.
Segundo o ministro, "se há em algum dado motivo de preocupação, ainda é um motivo pequeno". "Na verdade, não tem nada alarmante, nada que esteja acontecendo na economia que sinalize dificuldades grande e graves no futuro próximo. Por isso, temos que continuar vigiando, mas incrementando o desenvolvimento."
A afirmação do ministro foi feita ao ser questionado sobre as preocupações divulgadas pelo BC no último relatório de inflação sobre a possibilidade de os juros continuarem caindo. "Se a inflação não tiver novos repiques, não estiver crescendo novamente, é possível, sim [o BC continuar reduzindo a taxa de juros]", emendou.
Na semana passada, o cenário para inflação traçado pelos diretores do BC e atualizado a cada trimestre destacou grande preocupação com o nível de utilização da capacidade produtiva das empresas instaladas no país. O documento alertou para o risco de os investimentos que estão sendo feitos para que o país possa produzir mais não serem suficientes diante da aceleração do consumo. E isso pode se traduzir em mais pressão sob os preços em 2008. Tanto é assim que o BC até elevou de 4% para 4,2% a projeção de inflação para o ano que vem.
A divulgação do documento, aliada ao fato de que, no mesmo dia, o CMN (Conselho Monetário Nacional) decidiu manter inalterada em 6,25% ao ano a TJLP -taxa que serve de referência nas operações do BNDES com o setor produtivo-, reforçou a percepção dos investidores de que o corte dos juros será interrompido.
"Os analistas vivem olhando sinais. Acho que eles jogam pedrinhas ou sei lá o quê", ironizou Bernardo. "Só decidimos que a TJLP está num bom patamar. É quase metade do que era no começo do governo Lula. Não discutimos nada de Copom [comitê do BC que define a taxa básica de juros]. Não tem espuma no copo", afirmou.
A interpretação dos analistas levou em conta o fato de que a fórmula oficial que fixa o valor da TJLP considera a trajetória futura da inflação e do risco-país. Com isso, a manutenção da taxa seria um sinal de preocupação com a inflação.


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