São Paulo, quarta-feira, 09 de janeiro de 2008

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IGP-DI termina ano com 7,89%, a maior elevação desde 2004

Índice da Fundação Getulio Vargas é usado como indexador das dívidas dos Estados com a União e integra cesta de indicadores para reajustar telefonia

JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO

O IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) encerrou o ano passado com alta de 7,89%, a maior variação desde 2004, quando havia subido 12,14%. Em dezembro, o indicador registrou alta de 1,47%, a maior variação mensal desde março de 2003.
Segundo André Braz, coordenador dos Índices de Preços ao Consumidor da FGV (Fundação Getulio Vargas), os produtos agrícolas representaram 40% da inflação no ano passado. Dos nove itens que mais influenciaram a alta dos preços no atacado, sete são produtos alimentícios, como soja, milho, bovinos e feijão, entre outros.
O economista ressalta que, ao contrário de 2006, quando os alimentos ajudaram a conter o avanço dos preços, no ano passado, eles foram os principais causadores do salto nos índices de inflação. O resultado é que a taxa foi praticamente o dobro da de 2006, quando o índice subiu 3,79%.
"Há uma demanda maior por alimentos e os preços foram ditados pelo comportamento do mercado externo, o que atingiu principalmente as commodities e teve efeitos sobre diversos produtos alimentícios", afirmou Braz. Ele cita o exemplo da soja, que registrou alta de 41,61% no atacado. O óleo de soja subiu 34,4% no atacado.
Braz destaca também as influências da estiagem, da quebra de safra e da alta de preços como a dos laticínios e da carne bovina no comportamento do índice no ano passado.
Os preços no atacado subiram 9,44% em 2007, puxados pelos produtos agrícolas (24,82%). No mesmo período, os industriais subiram 4,42%.
Com a manutenção dos preços da gasolina e do diesel e a boa safra de cana, alguns combustíveis, como a gasolina e o álcool, ajudaram a conter a inflação. O primeiro encerrou 2007 com queda de 2,48%, e o segundo, com recuo de 3,11%. A pressão ficou concentrada em combustíveis usados pela indústria, como o querosene para motores (15,37%) e o óleo combustível (33,27%).
A inflação no varejo chegou a 4,60% no ano passado, afetada pela alta de produtos alimentícios, como batata inglesa (69,93%) e feijão (128,48%). Planos de saúde, tarifas de ônibus e aluguéis também influenciaram a formação do índice.
A expectativa é que em 2008 os alimentos sigam em alta, mas em ritmo mais moderado.
"A demanda não deve pressionar tanto porque houve um movimento de adequação da oferta. As previsões para a safra deste ano são melhores e não há como sustentar uma alta como a do feijão", disse.
Segundo Braz, em janeiro a inflação se norteará pela evolução dos alimentos "in natura" e pelos gastos ligados à educação, como matrículas, mensalidades e material escolar.
Apesar do maior fôlego da inflação nos últimos meses, Braz descarta que a inflação se descontrole. "O núcleo da inflação para o consumidor está no mesmo patamar [de 0,25%] desde setembro", disse. O núcleo exclui altas pontuais.


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