São Paulo, quarta-feira, 10 de outubro de 2007

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Grupo espanhol vence leilão de rodovias

Com deságio de até 65% no valor proposto para pedágios, empresa OHL arremata 5 de 7 trechos de estradas federais em licitação

Espanhola ganha lote da Fernão Dias e da Régis Bittencourt e se torna a maior concessionária em quilômetros administrados

Leonardo Wen/Folha Imagem
José Carlos Ferreira de Oliveira, da OHL Brasil (centro), em leilão de estradas na Bolsa de SP

JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DA AGÊNCIA FOLHA

PAULO DE ARAUJO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A empresa de origem espanhola OHL foi a principal vencedora do leilão de sete trechos de rodovias federais ocorrido ontem. A companhia ficou com todos os cinco lotes para os quais ofereceu propostas, entre eles a Fernão Dias (BR-381 entre São Paulo e Belo Horizonte) e a Régis Bittencourt (BR-116, entre Curitiba e São Paulo). No total, os lotes ganhos por ela somam 2.078 km.
As outras vencedoras foram a BRVias, que administrará um pedaço paulista da BR-153, e a também espanhola Acciona, que deve ser a concessionária de um trecho fluminense da BR-393 -caso a Justiça confirme a legalidade de sua proposta, que só foi apresentada depois de um mandado de segurança deferido ontem.
Até o dia 19 deste mês, a CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia) irá averiguar os documentos apresentados pelas vencedoras, que, se aprovados, devem assinar os contratos em janeiro no ano que vem.
A partir de então, elas terão seis meses para fazer reparos básicos nas vias, para só depois passarem a cobrar pedágio, que será reajustado anualmente segundo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). As concessões têm duração prevista de 25 anos.
Além da Fernão e da Régis, a OHL ficou também com o trecho entre Curitiba (PR) e Florianópolis (SC), do qual fazem parte as BRs 116, 376 e 101. Também levou o da BR-101 no Rio de Janeiro e o trecho da BR-116 que vai de Curitiba até a divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Com as aquisições de ontem, ela se torna agora a maior concessionária do Brasil em quilômetros administrados. Como já administrava outros 1.147 km distribuídos em quatro estradas no interior de São Paulo, estará presente agora em 3.225 km em todo o país.
Ainda assim, segundo o presidente da OHL Brasil, José Carlos Ferreira de Oliveira, sua empresa continua a segunda colocada em arrecadação e tráfego de veículos, perdendo para a CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias), que ontem fez lances perdedores para a Fernão, a Régis e a BR-101.

Deságio
O maior deságio de ontem foi o alcançado durante a apresentação de propostas para Fernão Dias, considerado um dos trechos mais atraentes. O valor de R$ 0,997 proposto pela OHL é 65,43% mais barato do que o teto estipulado para o leilão pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
O valor vencedor mais próximo do máximo previsto foi o oferecido pela Acciona para a BR-393: R$ 2,94, com uma diferença negativa de 27,17%.
"Fiquei surpreendido com esses [altos] deságios", afirmou ao final do leilão José Alexandre Resende, diretor-geral da agência reguladora. Para ele, o resultado, que considerou positivo, foi um reflexo da "transparência" do processo de concorrência e do "alto número de players" na disputa.
Os baixos lances feitos pela OHL em relação aos concorrentes provocavam reação na platéia de investidores que assistiam ao leilão. A cada envelope aberto da empresa, era possível ouvir expressões generalizadas de surpresa.
Suas propostas foram ameaçadas apenas pelas da BRVias, que, durante toda a tarde, polarizou os principais lances com a espanhola.
Em quatro de cinco envelopes vencedores da OHL, o consórcio brasileiro, junção da Splice, do empresário Antonio Beldi, do grupo Áurea (pertencente à família Constantino, da Gol) e da construtora Walter Torre, foi a que ofereceu as segundas menores tarifas.
O leilão foi interrompido depois do quarto lote, o da BR-101, devido a um mandado de segurança pedido pela Acciona e deferido pela 16 Vara da Justiça Federal de São Paulo.
Desclassificada anteontem por não ter apresentado um dos documentos requeridos, a empresa afirmou que tinha o documento, mas que estava em uma relação de papéis a ser entregue pelos vencedores hoje.
Ela pediu, então, à juíza Tânia Regina Marangoni que ordenasse a abertura de suas propostas, antes mesmo de julgar o mérito da questão, para garantir que seus lances fossem apreciados. José Alexandre Resende, diretor-geral da ANTT, afirmou que, por isso, essa concessão ainda está "sub judice".


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