São Paulo, domingo, 11 de fevereiro de 2007

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Mercado Aberto

guilherme.barros@uol.com.br

Commodities explicam valorização do real

O Banco Central não pode ser acusado de ser o maior responsável pela forte valorização do câmbio. O principal fator continua sendo a alta de preços das commodities exportadas pelo Brasil, a grande razão dos elevados valores registrados na balança comercial.
Só em janeiro, números preliminares indicam que as exportações devem superar a casa dos US$ 11 bilhões, acima até da meta estabelecida pelo governo. É essa enxurrada de dinheiro que explica, em grande parte, a apreciação do real.
Para acompanhar o desempenho desses preços, o departamento econômico do Itaú elaborou um índice de commodities com uma cesta dos principais produtos exportados. Foram considerados apenas os preços spot (mercado à vista).
O gráfico acima indica claramente que a tendência ainda é de alta, principalmente se for levado em conta o índice sem petróleo.
Os aumentos de preços impressionam. Só em janeiro, os minérios metalúrgicos subiram 14,5%; a soja, 14,3%; a carne, 12,1%; papel e celulose, 5,9%; e o café, 4,6%, entre outros exemplos.
O desempenho do índice, segundo Tomás Málaga, economista-chefe do Itaú, prova que só a política monetária não será suficiente para evitar a valorização do câmbio. Essa alta excessiva do índice é a principal explicação para o fato de o real ter se apreciado mais em relação a outros países.
Desde o início do ano passado, o real se valorizou cerca de 12% em relação ao dólar, enquanto em países como o Chile e a Austrália a moeda se apreciou entre 6% e 7%.
A melhor alternativa para evitar a valorização do real, de acordo com Málaga, parece estar afastada, pelo menos no curto prazo. A saída ideal seria um corte nas despesas do governo para o BC ter condições de acelerar a queda dos juros.
Dessa forma, o gasto privado não precisaria ser contido com os juros elevados, e isso aumentaria a demanda interna e poderia diminuir as exportações.
Mesmo considerando improvável essa hipótese de corte dos gastos públicos para o curto prazo, Málaga considera razoável, porém, o BC retomar os cortes de 0,5 ponto da Selic.

Ilhabela ganha complexo em área de preservação

Em seu quarto ano de existência, o escritório Ilha, que reúne os arquitetos Marcia Gullo, Juliana Felicissimo, Gil Lopes e Ricardo Ramires, prepara-se para dobrar de tamanho neste ano.
A idéia é investir na região Nordeste, com empreendimentos voltados para estrangeiros, e em outras ainda pouco exploradas, como a Norte, com criações em Manaus voltada para brasileiros.
Entre os principais projetos em andamento, está o empreendimento Yacamin, localizado dentro de uma área de proteção ambiental em Ilhabela (SP). Ele reúne casas -algumas com valor de R$ 1,4 milhão-, um hotel, que será administrado pela Hotelaria Brasil, e um spa da L"Occitane. "Nós trabalhamos por cinco anos no projeto e tomamos todas as precauções em relação ao ambiente", afirma Gil Lopes.

NO ÚLTIMO VOLUME
Inaugurada há cinco meses, a 3 Plus, empresa responsável pela turnê que o Fatboy Slim faz no Brasil neste mês, já está com projetos fechados para quase o ano todo. Criada por Luiz Klotz, Edo Duyn e Paulo Silveira, a sociedade fará agenciamento de DJs, VJs e bandas e produção artística para clubes e eventos. Os empresários, no mercado há cerca de dez anos, são responsáveis pela produção artística do festival inglês Creamfields no Brasil e do Skol Beats. Em 2007, eles levarão aos palcos brasileiros nomes como os de Sven Väth, Deep Dish, Steve Angello, Wonderland, Layo & Bushwacka, Johnny Orange e Circoloco. "Esse mercado é heterogêneo e os cachês variam de US$ 1.000 a US$ 50 mil", diz Klotz, um dos sócios. Segundo ele, a idéia é colocar artistas agenciados pela 3 Plus para "tocar com os grandes".

SERPENTINA
Kodak e LocaWeb estréiam neste ano na Sapucaí. Elas firmaram parceria com a Brahma e levarão seus serviços para o camarote da marca. No espaço, a LocaWeb vai oferecer equipamentos para acesso à internet. A Kodak montará uma estação digital, onde o convidado poderá fotografar e personalizar suas imagens.

NO BOLSO
Há um alívio no comprometimento da renda dos consumidores endividados. O percentual da renda comprometida com o pagamento de dívidas passou de 35% em janeiro para 33% em fevereiro, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, que a Fecomercio SP divulga amanhã.

ÁFRICA
A APS, de gestão de segurança, saúde e ambiente, acaba de enviar para a Angola dois profissionais da área de higiene industrial. Eles farão parte do grupo para a avaliação de risco ambiental das obras de reestruturação do país. As obras, que estão sob responsabilidade da Odebrecht, incluem a implementação de uma nova rede de saneamento básico e a recuperação de ruas e avenidas.

EXPORTAÇÃO
O Banco do Brasil desembolsou US$ 246,6 milhões no mês de janeiro de 2006 em operações de pré-pagamento de exportação, modalidade que antecipa receitas futuras decorrentes de contratos firmados no mercado externo. O banco encerrou 2006 com saldo de US$ 2,1 bilhões nas operações. O volume representa um crescimento de 82,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e supera o índice de crescimento das exportações brasileiras, que alcançou a marca de 16,2% em 2006.

QUATRO PAREDES
O sistema construtivo drywall fechou 2006 com vendas de 15,5 milhões de m2 de chapas. Em 2005, haviam sido consumidos 14 milhões de m2. São Paulo lidera o consumo do produto, com 48% da demanda nacional.

LEBRE DE MARÇO
Na corrida para começar a vender ovos de Páscoa primeiro, Pão de Açúcar e Sam's Club colocarão os doces nas gôndolas antes do Carnaval. O Pão de Açúcar começa neste fim de semana; o Sam's Club, amanhã.


com ISABELLE MOREIRA e JOANA CUNHA

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