São Paulo, quinta-feira, 12 de agosto de 2004

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"MORTE SÚBITA"

Segundo estudo nacional do Sebrae com empresas criadas entre 2000 e 2002, fenômeno gerou perdas de R$ 20 bi

50% das empresas quebram antes de 2 anos

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

De cada dez empresas criadas no Brasil, cinco quebram antes de completarem dois anos de existência. As que enfrentam mais dificuldades para sobreviver são as de pequeno porte, que empregam até nove funcionários e têm faturamento anual inferior a R$ 120 mil. Os números são de pesquisa divulgada ontem pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
O levantamento foi feito nas Juntas Comerciais de todos os Estados do país e do Distrito Federal e considerou todas as empresas fundadas entre 2000 e 2002. Foi a primeira pesquisa de abrangência nacional feita pelo Sebrae sobre esse assunto.
Entre 2000 e 2002, 1,4 milhão de empresas foram criadas no Brasil, sendo que 68,4% delas se localizavam nas regiões Sul e Sudeste. Desse total, 49,4% fecharam as portas antes de completar dois anos de existência e 59,9% não conseguem manter suas atividades por mais de quatro anos. As taxas de "mortalidade empresarial" são semelhantes em todas as regiões do país.
As 772,7 mil empresas que fecharam suas portas nesse período causaram perdas de R$ 19,8 bilhões aos seus proprietários, segundo o Sebrae. O valor se refere ao total de dinheiro investido pelos empresários e perdido com a quebra das empresas. O fracasso desses negócios resultou no fechamento de 2,4 milhões de postos de trabalho, diz o estudo.

Causas
O Sebrae consultou 5.727 empresas para tentar verificar as características dos negócios que não conseguem sobreviver por muito tempo. A elevada carga tributária, o difícil acesso a empréstimos e a falta de planejamento do empresário foram apontadas como os principais obstáculos ao desenvolvimento das empresas.
Ao responderem um questionário espontaneamente -sem que opções fossem apresentadas-, 24,1% dos donos de empresas que quebraram citaram a falta de capital de giro como um problema. Outros 16% responsabilizaram a elevada tributação.
A estagnação da economia não ficou entre os dez motivos mais citados. No ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto) encolheu 0,2%, o pior resultado registrado desde 1992.
Segundo Gustavo Morelli, gerente da Unidade de Estratégias e Diretrizes do Sebrae, a crise econômica não chegou a afetar significativamente a pesquisa. "Os fatores ligados ao nível de atividade não são tão relevantes", afirma.
O diretor-presidente do Sebrae, Silvano Gianni, diz que a falta de preparo dos empreendedores também ajuda a explicar a elevada taxa de fracassos.

Escolaridade
Segundo a pesquisa, os proprietários de negócios que não foram bem-sucedidos possuem escolaridade acima da média: 46% completaram o ensino médio e outros 29%, o ensino superior.
Gianni ressalta, porém, que 26% dos proprietários não possuíam nenhum conhecimento prévio sobre o negócio que estava abrindo, enquanto 32% não procuraram nenhum tipo de orientação antes de criar suas empresas. "A quantidade de pessoas que busca os serviços do Sebrae ainda é pequena", afirma.


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