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São Paulo, quinta-feira, 18 de dezembro de 2003

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SIDERURGIA

Fabricantes de carros e máquinas pedem intervenção do governo contra reajustes de até 15% a partir de 2004

Empresas reclamam de alta no preço do aço

CLÁUDIA TREVISAN
DA REPORTAGEM LOCAL

As entidades que representam os setores que mais consomem aço do país articulam uma ação conjunta para pressionar as siderúrgicas a rever reajustes de preços de 12% a 15% que pretendem aplicar a partir de janeiro.
O movimento envolve fabricantes de veículos, peças, máquinas e equipamentos e eletroeletrônicos, que consideram o aumento de preços injustificado. A estratégia inclui pedido de intervenção no caso dos ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Antonio Palocci Filho (Fazenda) e José Dirceu (Casa Civil).
Além da manifestação conjunta, algumas entidades já realizam movimentos individuais contra os reajustes. A reação mais veemente partiu da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), que enviou correspondência aos três ministros na qual pede a adoção das seguintes medidas para coibir os reajustes: 1) redução a zero do Imposto de Importação, que é de 14%, para permitir a compra de aço no mercado internacional; 2) elevação do Imposto de Exportação para coibir a venda do produto fora do país ou 3) a fixação de cotas para exportação de aço.
"O setor siderúrgico é oligopolizado, com pouquíssimas siderúrgicas que têm grande poder para impor seus preços", afirma Luiz Carlos Delben Leite, presidente da Abimaq, entidade que representa cerca de 4.500 empresas.
A Anfavea, que reúne as fabricantes de carros, classifica os reajustes de "anormais". A entidade sustenta que o aço foi o insumo da indústria automobilística que teve o maior aumento entre janeiro de 2002 e outubro de 2003, com 56%. No mesmo período, o preço de tabela dos carros subiu 31%, e a inflação (IGP), 35%.
Nos próximos dias, a Anfavea pretende apresentar aos ministros Furlan e Palocci estudos para demonstrar o impacto dos reajustes para o setor. O setor automobilístico é o segundo maior consumidor de aço do país, depois da construção civil, com cerca de 3 milhões de toneladas por ano.
Furlan disse que "está sempre disponível" para conversar, mas ponderou que os envolvidos na disputa têm força para negociarem sozinhos. "Eu imagino que empresas do porte das do setor automotivo devam ter muitos trunfos na mão para negociarem com seus fornecedores."
A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica) também integra a ação dos consumidores. Além de levar o problema ao governo, o presidente da entidade, Ruy de Salles Cunha, pretende discuti-lo no Comitê Especial do Aço da Confederação Nacional da Indústria, que reúne produtores e consumidores.
"Vamos pleitear que o reajuste não seja aplicado ou que seja aplicado de forma parcelada", afirmou Cunha. O presidente da Abinee pede ainda que o reajuste, se aplicado, não atinja os exportadores do setor, para que eles não percam competitividade.
Procuradas pela Folha, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) e a Usiminas, duas das maiores siderúrgicas nacionais, informaram por meio de suas assessorias de imprensa que não se manifestam sobre política de preços.
O consultor Fábio Silveira prevê que 2004 será um ano de tensão entre os fabricantes e os consumidores de aço, em razão da alta demanda internacional e do fato de o setor operar no limite de sua capacidade de produção.


Colaborou a Sucursal de Brasília

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