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São Paulo, quinta-feira, 18 de dezembro de 2003

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CONTRA-ATAQUE

Para o presidente do BNDES, noticiário sobre uma suposta saída do cargo só serviu para enfraquecê-lo

Lessa reclama de notícias sobre sua demissão

DA SUCURSAL DO RIO

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Carlos Lessa, disse ontem, em entrevista coletiva para apresentar o balanço de um ano de sua gestão, que as notícias publicadas em jornais e revistas sobre sua possível demissão prejudicaram sua gestão.
Acompanhado de toda a diretoria do banco, Lessa afirmou: "Fiz uma estatística. Vocês [os jornalistas] me demitiram dez vezes".
Ele chamou o noticiário sobre sua saída de "plantação [de notícias]" e disse que a única consequência disso foi tirar o peso da sua palavra.
"Se você coloca um executivo público sob suspeita de demissão a cada 24 horas, você faz com que a palavra dele tenha menos peso e que sua equipe fique menos confortável", declarou.
Lessa voltou a enfatizar que preside o BNDES a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Sou presidente do BNDES por convite direto do presidente da República e não por nenhuma articulação político-partidária nem pela apresentação do meu nome por movimentos sociais."
Há menos de um mês, diversos jornais (a Folha inclusive) publicaram matérias mostrando que a cúpula do governo estava insatisfeita com o desempenho de Lessa à frente do banco e que sua substituição era questão de tempo -poderia ocorrer na reforma ministerial.
No balanço de ontem, Lessa declarou que a principal conquista da direção foi "recuperar um banco de desenvolvimento onde havia um banco de investimento".
Lessa disse que o banco lidou neste ano com "esqueletos e fantasmas" e chamou a dívida da AES com o banco de "um fantasmão".
Segundo ele, outro fantasma, "da mesma família" do da AES ainda está por ser enfrentado, que é a dívida de aproximadamente US$ 650 milhões da SEB (Southern Electric Brasil), acionista da Cemig, com o banco. A AES é uma das controladoras da SEB.
Apesar de o problema da AES ser maior, Lessa disse que o caso da Chapecó, que deve cerca de R$ 550 milhões ao BNDES, preocupa mais por ter criado um problema social em uma área (oeste da região Sul) onde não havia esse problema.
Ele também defendeu o investimento de R$ 1,5 bilhão feito pelo BNDES na compra de ações da Valepar (controladora da Vale do Rio Doce). Disse que Lula ficou satisfeito com as explicações dadas sobre o negócio. Afirmou ainda que, do orçamento de R$ 47,3 bilhões previsto para 2004, o BNDES destinará R$ 20,7 bilhões à indústria, R$ 15,49 bilhões à infra-estrutura e R$ 5,66 bilhões à agropecuária. (CHICO SANTOS)


Com a Redação

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