São Paulo, quarta-feira, 21 de janeiro de 2004

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Companhia prepara recurso para derrubar conselho fiscalizador

SANDRA BALBI
DA REPORTAGEM LOCAL

A Parmalat Brasil Indústria de Alimentos, o braço operacional do grupo italiano no país, tentará sustar na Justiça a medida cautelar que nomeou um conselho fiscal judicial para apurar a existência de eventuais fraudes nas operações brasileiras e verificar a real composição de seu passivo.
O advogado Tomas Felsberg, especialista em falências, disse ontem que prepara recurso à medida concedida na última sexta ao Banco Sumitomo Mitsui Brasileiro. O escritório de Felsberg foi contratado há uma semana (para assessorar a Parmalat Brasil) pelos interventores do governo italiano que comandam o grupo.
Os interventores também contrataram o escritório Weil Gottschall, de Nova York, para cuidar dos interesses do grupo nas investigações. Esse é o mesmo escritório que cuidou do caso Enron. Foi o Weil Gottschald quem indicou Felsberg à Parmalat Finanziaria, segundo o advogado.
A Parmalat, diz Felsberg, cumprirá a cautelar até que seja interposto e apreciado o recurso à medida. "O certo seria o Sumitomo trabalhar com os demais bancos credores. Se todos pedirem compartilhamento de gestão, a situação ficará complicada."
O Sumitomo encaminhou novos esclarecimentos à Justiça sobre seu pedido de bloqueio à venda de ativos e remessa de recursos ao exterior pela Parmalat. "Não pedimos o bloqueio de todas as operações de câmbio, apenas das transferências para empresas do conglomerado; não queremos interferir na administração da empresa", diz Cláudio Grimaldi, advogado do banco.
Felsberg diz que vem negociando com os bancos credores para que eles mantenham suas linhas de crédito para a Parmalat Brasil. "A orientação firme da Parmalat é negociar com os bancos, não entrar em concordata", diz ele.
Ele também está analisando três pedidos de falência que correm na Justiça contra a empresa. Até ontem a Parmalat ainda não havia sido citada em nenhum dos casos. Segundo Felsberg, o presidente da Parmalat Alimentos, Ricardo Gonçalves, encontra-se em São Paulo. "Mas a citação pode ser entregue a qualquer representante legal da empresa -não necessariamente ao seu presidente."
Ontem a Justiça determinou o bloqueio das contas da Parmalat no Rio. A informação sobre o bloqueio constava no Sisbacen (Sistema de Informações do Banco Central). Segundo a Folha apurou, trata-se de medida solicitada para pagar dívidas trabalhistas.


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