São Paulo, domingo, 21 de outubro de 2007

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Relatos sugerem ação para "blindar" múlti

Ex-presidente da Cisco do Brasil é classificado pela polícia como chefe "1 nível" do grupo acusado de fraudar importação

Empresa diz que não crê na atuação "inapropriada" de seus funcionários e que "tomará as medidas cabíveis" quando investigação acabar

LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL

Interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal revelam detalhes da fraude fiscal de R$ 1,5 bilhão supostamente orquestrada pela Cisco do Brasil, com a participação da sede norte-americana, que é líder mundial na fabricação de equipamentos para a área de tecnologia da informação.
Nas conversas gravadas, há funcionários de empresas que, segundo a PF, foram criadas exclusivamente para "blindar" a Cisco, dizendo que era preciso "fazer de conta" que existia uma industrialização e, com isso, ganhar na redução dos impostos. Em outro momento, um suspeito pergunta "como industrializar um negócio de dois metros de altura que custa US$ 700 mil?".
Para a PF, a complexa engenharia montada pela Cisco consistia ainda em fraudar a importação por meio de empresas fantasmas. Sonegando impostos e subfaturando preços de mercadorias, os produtos de informática chegavam ao país com preços muito mais competitivos, afirma a polícia.
Num dos diálogos, segundo a PF, a vice-presidente da Cisco do Brasil, Daniela Ruiz, pede a redução ao máximo dos preços dos produtos. "As vendas têm de ser feitas sem margem...." Segundo a polícia, as reduções chegavam a até 70% do preço das mercadorias.
Para a polícia, o uso de várias empresas em operações interpostas visava dificultar a identificação da Cisco e seus dirigentes. O fundador e ex-presidente da Cisco do Brasil, Carlos Roberto Carnevali, foi classificado pela PF como chefe "1 nível", no grupo dos "líderes e mentores do grupo criminoso".
Em conversa entre Carnevali e Marcelo Ikeda, diretor da Mude (também citada no caso), eles falam da importância de não decepcionar a "mãe Cisco".
Carnevali, Ikeda e outras 38 pessoas foram presos na terça-feira passada. "Fica perfeitamente comprovada a existência de uma grande organização criminosa, uma verdadeira quadrilha", diz relatório da PF.
Na sexta-feira à noite, a Justiça manteve a prisão de seis pessoas, entre elas a do fundador da empresa no Brasil.
Em nota, a Cisco informou que não acredita na atuação "inapropriada" de seus funcionários e que "tomará as medidas cabíveis assim que forem finalizadas as investigações".


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