Índice geral Esporte
Esporte
Próximo Texto | Índice | Comunicar Erros

Vão-se os anéis

Investigado por ter recebido suposta propina de US$ 1 mi, o presidente de honra da Fifa, João Havelange, pode perder mandato vitalício na entidade

RODRIGO MATTOS
ENVIADO ESPECIAL AO RIO
SÉRGIO RANGEL
DO RIO

Depois de renunciar ao cargo no COI (Comitê Olímpico Internacional), o presidente de honra da Fifa, João Havelange, tem ameaçada sua permanência na entidade que comandou por 24 anos por conta de envolvimento em caso de corrupção.

Nos últimos dias, Havelange renunciou ao cargo de membro do COI para evitar sofrer sanções da entidade olímpica. Ele é investigado por supostamente ter recebido US$ 1 milhão em propina da ISL, empresa de marketing parceira da Fifa nos anos 90.

Na quinta-feira, o Comitê de Ética do COI passará ao seu Comitê-Executivo um relatório sobre o caso. A expectativa era que o cartola brasileiro fosse punido com suspensão ou expulsão.

Ontem, o comitê confirmou a renúncia de Havelange por carta ao cargo que ocupava desde 1963. Assim, ele não pode mais ser punido.

Sem conseguir se defender no mundo olímpico, o cartola deve sofrer efeito cascata na Fifa. Na entidade que controla o futebol mundial, o dirigente de 95 anos pode perder o mandato vitalício.

O cargo poderia ficar com o atual presidente Joseph Blatter, que deixa o cargo em 2015. Michel Platini é candidato para sucedê-lo.

O cartola máximo da Fifa promete revelar dados sobre o caso ISL no dia 17 deste mês. Mas ainda há a possibilidade de Havelange e Ricardo Teixeira, presidente da CBF e seu ex-genro, tentarem barrar a divulgação por meio de medidas jurídicas, já que foi pedido sigilo do processo.

Blatter previu que podem ocorrer expulsões por conta da revelação de documentos.

A atitude é uma demonstração do rompimento com a dupla de brasileiros, iniciada por disputas eleitorais. A inimizade chegou a tal ponto que a Fifa confirmou a renúncia de Havelange do COI antes do próprio comitê.

Questionado pela Folha, o comitê disse pouco antes que não se pronunciaria sobre a investigação até quinta. Ainda chamava o episódio de "potencial renúncia". Com a divulgação da Fifa, o COI confirmou a carta de exoneração.

Ontem, o ex-presidente da Fifa foi trabalhar no seu escritório no Rio, mas se recusou a comentar sua decisão.

Sua secretária, que identificou-se como Irene, disse que a decisão de Havelange "já tinha sido tomada". "Agora, isso é um assunto superado", disse a secretária.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, não quis comentar o episódio, mas disse que o "Brasil não deve temer nenhum tipo de investigação".

Próximo Texto | Índice | Comunicar Erros


Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.