São Paulo, segunda-feira, 04 de junho de 2001

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TÊNIS
Brasileiro salva match point contra o 122 do mundo e pela 1 vez inverte desvantagem de 2 a 0 em Roland Garros
Guga vira jogo quase perdido em Paris

France Presse
Gustavo Kuerten salva bola na partida contra o americano Michael Russel, em Roland Garros


PAULO COBOS
ENVIADO ESPECIAL A PARIS

Por "um quarto de centímetro", como ele mesmo disse, Gustavo Kuerten não foi eliminado ontem de Roland Garros-2001.
Depois de salvar um match point no terceiro set, o brasileiro, pela primeira vez nas seis vezes que esteve no Grand Slam francês, teve força para virar um jogo que perdia por 2 sets a 0.
Assim, ao vencer o norte-americano Michael Russell, por 3 a 2 (3/6, 4/6, 7/6, 6/3 e 6/1), garantiu uma vaga nas quartas-de-final da competição, quando irá enfrentar, amanhã, o russo Ievguêni Kafelnikov, a quem venceu, pela mesma fase, nas duas vezes que foi campeão em Roland Garros, em 1997 e no ano passado.
A vitória de ontem, épica, foi contra um adversário que precisou disputar o qualificatório, não tem nem patrocinador de camisa e tem um biótipo raro para um tenista moderno, em que predominam jogadores altos e magros, o oposto do físico de Russell, que mede 1,70 m, pesa 65 kg e é o 122 no ranking de entradas.
Nos dois primeiros sets, com uma velocidade incrível para chegar em todas as bolas, o norte-americano era quem parecia o número um do mundo.
Em cinco vezes, Russell quebrou o saque de Kuerten, conhecido por ser um dos jogadores do circuito que menos deixam escapar um game quando servem.
No terceiro set, o roteiro parecia o mesmo. Depois de mais uma vez quebrar o saque do brasileiro, Russell só precisava confirmar seu serviço para impor a quarta derrota de Guga em 26 partidas de simples em Roland Garros.
Em um game equilibrado, Russell teve um match point que podia lhe dar a oportunidade de transformar sua carreira.
Depois de várias trocas de bolas, inclusive aquela que ficou a "um quarto de centímetro" de tirá-lo da competição, Kuerten conseguiu evitar o ponto do adversário, que a partir desse momento ficou totalmente rendido.
"Eu sou um cara que não entrega nada de bandeja", disse Kuerten, que desta vez joga em Paris sem a presença da mãe e da avô, figuras constantes quando disputa essa competição.
No tie-break, confiante, o brasileiro conseguiu sua segunda vitória seguida nesse tipo de decisão, seu pesadelo na temporada.
Depois, no quarto e no quinto set, foi a vez de Guga "passear" na quadra, já que o adversário não oferecia mais nenhum perigo e não teve forças para evitar a derrota, que colocou o brasileiro nas quartas-de-final em Roland Garros pelo terceiro ano seguido.
Contra Russell, Kuerten confirmou sua trajetória na competição francesa, em que o nível dos rivais caiu jogo a jogo e a dificuldade em superá-los aumentou em cada partida. Depois de estrear com um massacre sobre o argentino Guillermo Coria, o terceiro tenista com mais vitórias no saibro em 2001, Kuerten teve uma partida mais equilibrada contra Agustín Calleri, número 74 do mundo.
Na terceira rodada, contra o marroquino Karim Alami, 109 do ranking, Guga precisou de quatro sets para vencer.
Ontem, contra o número 122, foram necessários cinco sets e mais de três horas de partida.
"Não joguei nas últimas duas partidas como nos dois jogos iniciais", disse Kuerten, que prefere não polemizar com Kafelnikov, que, depois de dizer que pode ser imbatível no saibro, voltou ontem a falar sobre o brasileiro após vencer o espanhol Tommy Robredo.
"Ele realmente teve sorte para chegar às quartas-de-final", afirmou o russo, sétimo colocado no ranking de entradas.
NA TV - Torneio de Roland Garros, ao vivo, a partir das 6h, na ESPN International



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