São Paulo, quinta-feira, 12 de julho de 2007

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Com a palavra

O Pan do Cristo Redentor

A festa vai começar, e espero que ela seja linda, para termos a alegria que é negada em outros campos

LAURET GODOY
ESPECIAL PARA A FOLHA

O CORAÇÃO do Brasil está pulsando em ritmo de Pan. Emoção, expectativa e esperança antecedem a grande disputa. As horas intermináveis dos treinos, das privações e das provações, cedem lugar ao desejo de lutar e vencer. É nesse passo que antigas emoções afloram, trazidas pelas ondas da recordação.
O dia era 15 de outubro de 1975. Na delegação brasileira, um jovem atleta alto, elegante, olhos grandes, vivos, e um alegre sorriso. Tivera uma infância difícil. E, agora, ali estava ele, para disputar a prova do salto triplo. Sentia orgulho pela camiseta amarela, com o nome do Brasil em cima do coração. Os pés estavam nervosos, esperando o momento certo para baterem na tábua de impulsão.
Chegou a vez! A corrida foi veloz, e os pés estiveram magistrais. Subida, vôo e queda perfeitos. Quando aquele brasileiro atingiu o solo, o mundo tinha novo recordista mundial -João Carlos de Oliveira. Ele ajoelhou-se para chorar, enquanto os brasileiros sorriam e aplaudiam, com alegria e emoção. João Carlos virou ídolo internacional. Para os estrangeiros, era "o Oliveira", do Brasil.
Para os brasileiros, era o "João do Pulo", nosso. Para ele, a nossa homenagem. Se ele foi o herói dos Jogos de 1975, brasileiros, alegrai-vos! Afinal, antes de se iniciarem as competições do Pan, nós já temos um vencedor, o Cristo Redentor. Conquistou medalha de bronze em torneio internacional e, do alto do Corcovado, por certo estará abençoando todos os esportistas das Américas. A festa vai começar.
Avante, atletas do Brasil!
Força! Fibra! Coragem!
Lutem com ética, respeito, honestidade, dedicação e "fair play". É assim que se faz um bom combate. E tenham a certeza de que, por antecipação, vocês já são vitoriosos. Mas saibam que não estarão sozinhos nesse pódio. Juntos estão, também, os anônimos trabalhadores que ajudaram a preparar essa grandiosa festa. Espero que ela seja linda!
Afinal, nós, brasileiros, merecemos esse presente -que o campo esportivo dê a alegria que nos tem sido negada, em vários outros campos, deste Brasil gigante e tão querido.


LAURET GODOY, ex-campeã brasileira e sul-americana do revezamento 4 x 100 m, escreveu "Os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga"


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